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O presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, é visto em Washington, Estados Unidos, no dia 3 de maio de 2016

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O Panamá fechou nesta segunda-feira sua fronteira com a Colômbia na região de Darién para impedir a entrada de migrantes cubanos, anunciou o presidente Juan Carlos Varela.

"Diante da decisão de outros países da América Central, especificamente Nicarágua e Costa Rica, tomamos a difícil decisão de fechar a fronteira com a Colômbia na área de Puerto Obaldía e outros pontos fronteiriços para (evitar) a passagem de migrantes irregulares", disse Varela.

Em sua conta no Twitter, a chancelaria colombiana informou que o governo do Panamá já informou Bogotá sobre o fechamento da fronteira e esclareceu que "é apenas para migrantes irregulares".

As declarações de Varela ocorrem no mesmo dia em que um grupo de cubanos parados no Panamá partiu de avião rumo ao México, após um novo acordo entre os dois governos.

"Acertamos com o governo do México a transferência humanitária de mais de 3.800 cubanos", mas "temos que fechar a fronteira para este fluxo irregular porque não podemos estar de forma permanente enfrentando isto", afirmou Varela, durante um ato público.

A transferência de cubanos ocorrerá nas próximas semanas em voos diários, com custo assumido pelos emigrantes. Eles sairão do aeroporto da capital panamenha rumo a Ciudad Juárez, na fronteira entre o México e os Estados Unidos.

Segundo Varela, os dois primeiros aviões chegaram pela manhã desta segunda-feira ao México com os primeiros 250 emigrantes.

Esta medida "talvez mitigue um pouco a chegada de cubanos, mas não vai solucionar o problema porque certamente continuarão entrando por outros lugares", disse à AFP Carlos Guevara-Mann, ex-diretor da política exterior do Panamá e Catedrático de Ciência Política na Florida State University.

Além disso, "pode gerar um auge do uso de traficantes de seres humanos, pois conhecem a rota e extorquem" os emigrantes, acrescentou Guevara-Mann.

Os emigrantes cubanos permanecem em albergues e hotéis do Panamá à espera de poder continuar viagem rumo aos Estados Unidos, depois que Costa Rica e Nicarágua fecharam a passagem.

"O tema migratório é um problema regional e se requer que todas as partes interessadas cheguem a um acordo que respeite a soberania de cada país e os direitos humanos dos migrantes", disse à AFP Julio Yao, catedrático em Direito Internacional.

Varela também pediu que os Estados Unidos mudem sua política migratória, que incentiva o fluxo de cubanos para este país.

A migração ilegal de cubanos que tentam chegar aos Estados Unidos através da América Central é "produto das leis deste país, que incentivam este tráfico e ao qual fazemos um apelo para que sejam revisadas, avaliadas e mudadas", disse o governista.

Em março, 1.300 cubanos foram do Panamá ao México de avião e desde então continuarão chegando emigrantes em uma travessia que começa no Equador e continua por Colômbia, América Central e México para chegar aos Estados Unidos.

Na mesma época, 2.800 cubanos deixaram a Costa Rica em voos rumo a El Salvador, Guatemala e México, para prosseguir seu trajeto aos Estados Unidos.

AFP