O papa Francisco aceitou a renúncia do religioso Carlos Eugenio Irarrázaval Errázuriz, nomeado em 22 de maio como bispo auxiliar da arquidiocese de Santiago do Chile, informaram fontes do Vaticano nesta sexta-feira (14).

A renúncia surpreendeu os meios religiosos pois o bispo ainda não tinha tomado posse do cargo e estava entre as primeiras nomeações do papa após a renúncia em bloco no ano passado do episcopado chileno depois dos escândalos por acobertamento de abusos sexuais.

"A decisão foi fruto de um diálogo e de um discernimento conjunto, no qual o papa Francisco valorizou o espírito de fé e humildade do presbítero a favor da unidade e do bem da Igreja que peregrina no Chile", explicou em uma declaração em vídeo o arcebispo Celestino Aós, administrador apostólico da arquidiocese de Santiago do Chile.

Contatado pela agência especializada em temas religiosos I.media, o porta-voz interino do escritório de imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti, confirmou a informação embora não tenha fornecido nenhuma explicação.

Segundo a I.media, é possível que o religioso chileno tenha decidido renunciar ao cargo tão rapidamente pelas polêmicas causadas por suas declarações contrárias aos judeus, à mulher e ao movimento feminista.

Irarrázaval Errázuriz, que foi diretor da Rádio Maria, vai continuar como pároco da igreja do Sagrado Coração de Jesus de Santiago.

O religioso vinculou-se à conhecida paróquia em 2011, um ano depois de virem à tona as denúncias contra o padre Fernando Karadima, poderoso símbolo dessa paróquia e protagonista dos escândalos que trouxeram à tona a cultura do abuso no clero do Chile.

Em setembro do ano passado, Francisco expulsou do sacerdócio Karadima, a maior condenação dentro da Igreja católica.

O caso veio à tona em janeiro de 2018 durante uma polêmica visita do papa ao Chile, que o obrigou em abril deste ano a mandar uma carta aos bispos chilenos em forma de mea culpa em que reconhecia os "erros de apreciação" sobre o escândalo na igreja do Chile.

Após ter ouvido relatos das vítimas de abusos, o papa convocou todos os bispos chilenos ao Vaticano em maio de 2018 para três dias de introspecção, ao final dos quais todos os bispos se demitiram.

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