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A presidente Park Geun-hye cumprimenta o Papa após uma entrevista coletiva em Seul

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O Papa Francisco fez nesta quinta-feira, em Seul, um apelo às duas Coreias para que superem as recriminações e a mobilização de forças, horas depois de Pyongyang lançar uma salva de mísseis ao mar.

Diante da presidente sul-coreana Park Geun-Hye e de várias autoridades do país, o papa elogiou "os esforços feitos a favor da reconciliação e da estabilidade na península coreana, o único caminho para uma paz duradoura".

O papa, que falou em inglês pela primeira vez em um evento oficial, evitou cuidadosamente citar o regime comunista norte-coreano, apesar das referências às injustiças, perseguições e mobilização de forças que representaram uma alusão a Pyongyang.

"A diplomacia, como arte do possível, se baseia na convicção firme e perseverante de que se pode alcançar a paz através da escuta tranquila e do diálogo, mais do que através de recriminações mútuas, críticas estéreis e mobilização de forças", destacou o pontífice.

A paz na Coreia teria repercussões "para a estabilidade de toda a região e de nosso mundo cansado pela guerra", completou.

70.000 famílias divididas

A presidente sul-coreana, que recebeu o papa na Casa Azul, sua residência oficial, recordou que 70.000 famílias continuam separadas desde a divisão da península ao fim da guerra (1950-53).

O papa recordou um nome tradicional da Coreia, "o país da manhã tranquila", recebido em homenagem a uma "herança forjada por anos de violência, perseguições e guerra".

Primeiro papa na Ásia desde a visita de João Paulo II a Índia em 1999, Francisco passará cinco dias na Coreia do Sul para promover o catolicismo na Ásia e defender a reconciliação entre as duas Coreias.

O pontífice foi recebido no aeroporto de Incheon pela presidente Park Geun-Hye e por estudantes com flores.

Quase simultaneamente, a Coreia do Norte disparou em direção ao mar três mísseis de curto alcance, um método que o regime de Pyongyang utiliza regularmente para demonstrar o descontentamento e e ameaçar Seul e seus aliados. Durante a tarde, lançou mais dois mísseis.

Bênção para a China

"É bastante inconveniente lançar este tipo de projéteis no dia da chegada do papa, que vem abençoar todos os habitantes da península coreana, vivam eles no sul ou norte", disse um porta-voz da diplomacia sul-coreana.

O pontífice argentino vai celebrar uma missa para "a paz e a reconciliação" na catedral de Myeong-dong de Seul no dia 18 de agosto, ponto alto da visita de cinco dias.

Ao contrário do Norte, onde o catolicismo é muito perseguido, no Sul os cristãos, entre todas as diferentes denominações, são mais numerosos que os budistas. Os católicos (10,7% da população) integram uma Igreja dinâmica, influente, mas ameaçada por um certo 'aburguesamento' que Francisco pretende ajudar a dissipar.

O papa, que envia sistematicamente uma mensagem aos países que sobrevoa em suas viagens, transmitiu os "melhores desejos" ao presidente chinês Xi Jinping e a seus compatriotas e implorou pela "bênção divina de paz e bem-estar" para a China.

"Tomamos conhecimento da posição do papa Francisco", afirmou Hua Chunying, porta-voz da diplomacia chinesa.

"A China sempre mostrou sinceridade para melhorar as relações com o Vaticano. Estamos dispostos a continuar os esforços para promover um diálogo construtivo", completou.

Na visita de João Paulo II a Coreia do Sul há 25 anos, Pequim proibiu o avião que transportava o papa a sobrevoar seu território. Vaticano e China, que tem milhões de católicos, não mantêm relações diplomáticas desde 1951.

A China tem. segundo estimativas, pelo menos 12 milhões de católicos, divididos entre um culto oficial supervisionado pelo governo e uma Igreja subterrânea proibida, fiel ao papa.

De acordo com fontes citadas pela agência católica AsiaNews, o governo chinês advertiu vários padres que estão na Coreia do Sul que eles terão problemas em seu retorno, caso acompanhem a visita de Francisco.

Um dos momentos mais importantes da visita de Francisco será a beatificação no Portão de Gwanghwamun, em Seul, de Paul Yun Ji-chung e outros 123 mártires do início do cristianismo na Coreia.

A cerimônia é uma forma de homenagear a resistência dos cristãos asiáticos ante as perseguições do passado, além de destacar o papel dos laicos na Igreja, pois a fé cristã foi propagada com ajuda dos leigos.

AFP