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O papa Francisco em missa no Vaticano, em 29 de junho de 2014. A nomeação do novo assessor foi feita na noite de quinta-feira, durante uma reunião, em Roma.

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O papa Francisco designou o jesuíta italiano Gianfranco Ghirlanda como assessor especial para fiscalizar a controversa congregação ultraconservadora Legionários de Cristo, empenhada em limpar seu passado marcado pelos escândalos de pedofilia envolvendo seu fundador, o mexicano Marcial Maciel.

O novo assessor pontifício, de 71 anos, especialista em direito canônico, deverá fazer com que a entidade retifique vários pontos dos novos estatutos adotados no início deste ano pela poderosa congregação presente em 22 países, em sua maioria na América Latina.

A nomeação do novo assessor foi feita na noite de quinta-feira, durante uma reunião, em Roma, entre o prefeito da Congregação para os Institutos da Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica , o cardeal brasileiro João Braz de Aviz, e o novo diretor-geral dos Legionários, o mexicano Eduardo Robles-Gil.

"Ele deverá ajudar os Legionários a superar definitivamente a crise institucional vivida nos últimos anos", enfatiza o comunicado da congregação religiosa.

O Vaticano enfatizou, por sua parte, que se trata de um assistente, uma espécie de conselheiro, e não de um comissário, já que não terá direito a votar, apesar de que participará nas reuniões do Conselho Superior da congregação.

O assessor tem como principal tarefa retificar para que se tornem mais explícitos dois pontos importantes dos novos estatutos: a referência ao Concílio Vaticano II (1962-1965), a assembleia que modernizxou a Igreja em meados do século XX, e os laços entre os Legionários e o influente movimento laico Regnum Cristi.

"Os membros do governo-geral acolhem com gratidão a ajuda que a Igreja nos oferece através do padre Ghirlanda. Ele nos enche de confiança por sua experiência, assim como pelo conhecimento que já tem da Legião e do Regnum Christi ao ter sido conselheiro pessoal do Delegado Pontifício", comentou Robles-Gil, citado pelo comunicado.

Em fevereiro, a congregação ultraconservadora pediu nesta um perdão coletivo pelos comportamentos graves e imorais cometidos por Marcial Maciel, condenado por abusos sexuais.

A congregação, que desde o início de janeiro tem feito uma série de reuniões para decidir seu futuro, elegeu como novo diretor-geral o mexicano Eduargo Robles Gil, de 61 anos, um dos membros da comissão de ajuda às vítimas de Maciel, que faleceu em 2008.

Para muitos legionários, principalmente os mais jovens, era urgente um pedido coletivo de perdão às vítimas de abuso sexual e psicológico afetadas por Maciel nos seus 60 anos de vida religiosa.

O grupo conservador, fundado em 1941, conseguiu ocultar por décadas as denúncias contra seu líder, contando com a proteção de membros da alta hierarquia do Vaticano durante o pontificado de João Paulo II (1978-2005), que considerava os legionários um exemplo de virtude católica e ignorou por anos as denúncias.

A declaração de fevereiro, histórica, rompeu de forma clara e direta com Maciel, reconhecendo como uma "incoerência incompreensível" que ele tenha sido um padre por décadas e "reprova firmemente" seu comportamento.

Depois da morte do padre, que tinha sido condenado ao silêncio pelo papa Bento XVI em 2008, foram descobertos outros crimes cometidos por ele, como o abuso de filhos que tinha tido com duas mulheres e seu vício em morfina.

AFP