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O papa Francisco concede uma coletiva de imprensa a bordo do avião que o trouxe de volta à Roma, após sua visita à Coreia do Sul.

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O Papa Francisco participou nesta segunda-feira de uma coletiva de imprensa durante o voo que o levou da Coreia do Sul a Roma. Ele falou das "crueldades do mundo", de sua possível renúncia e da perspectiva de sua morte.

Em uma longa conversa ao final de uma cansativa viagem de cinco dias à Coreia do Sul, o pontífice argentino respondeu em italiano a 14 perguntas sobre vários temas, conversando por uma hora e quinze minutos com jornalistas de onze nacionalidades.

- "Agressão injusta" -

"Quando há uma agressão injusta é lícito deter o agressor injusto. Mas repito, deter, não bombardear, nem fazer uma guerra", afirmou, esclarecendo a posição da Igreja católica sobre os ataques aéreos dos Estados Unidos para impedir o avanço do Estado Islâmico (EI) no Iraque.

Francisco, que convocou os países membros da ONU a tomar uma decisão coletiva para frear a "agressão injusta" contra as minorias no Iraque, pediu que a opinião pública "tenha memória".

"Quantas vezes com a desculpa de frear o agressor as potências desencadearam uma verdadeira guerra de conquista! Uma só nação não pode julgar como se detém um agressor", opinou.

"Depois da Segunda Guerra Mundial, tivemos a ideia de criar as Nações Unidas. É lá que se deve discutir e afirmar: Há um agressor injusto. Como vamos contê-lo?" - observou.

O pontífice reconheceu que está preocupado com todas as minorias e não apenas com a cristã, porque "todos somos iguais diante de Deus".

O Papa garantiu "estar disponível" para viajar ao norte do Iraque, ao Curdistão, para levar alívio aos refugiados cristãos e a outras minorias "se for necessário", mas reconheceu que neste momento "não é o melhor que se pode fazer".

- Terceira guerra mundial a prestação -

Para o Papa, o mundo está vivendo um tipo de "terceira guerra mundial a prestação", não convencional, "com um nível de crueldade espantoso", já que afeta crianças e mulheres. "A tortura foi banalizada", lamentou.

Francisco também manifestou seu desejo de visitar a China, para onde enviou mensagens de abertura e diálogo durante sua permanência na Coreia do Sul.

"Me perguntam se desejo ir à China. Claro que sim, amanhã mesmo. A Igreja só pede liberdade para fazer o seu trabalho. Nenhuma outra condição", declarou.

O primeiro pontífice latino-americano, de 77 anos, contou que tem programada uma viagem aos Estados Unidos para o ano que vem, com passagens pela Filadélfia - para assistir ao encontro mundial das famílias -, Washington e Nova York, onde visitará a sede da ONU.

- Renúncia e morte, férias e neurose -

Com seu estilo simples e direto, Francisco fez várias confidências sobre sua vida como pontífice, sobre sua vontade de ter uma vida normal e sobre sua popularidade. Sobre sua morte, brincou: "em dois ou três anos".

"Eu a encaro como uma generosidade do povo de Deus. Interiormente, tento pensar em meus pecados, em meus erros, para não ficar orgulhoso, porque sei que vou durar pouco tempo. Dois ou três anos. E, depois, vou para 'a Casa do Pai!'" - afirmou, em tom de brincadeira

O pontífice se referiu, ainda, a uma possível renúncia, como a de seu antecessor, Bento XVI, em 2013.

A renúncia de um Papa é uma instituição e não mais uma exceção, apesar disso não ser do gosto de alguns teólogos, afirmou Francisco, lembrando que os bispos eméritos (aposentados) eram uma exceção há 60 anos e que agora esta é uma prática habitual.

O Papa, que anunciou que passará suas férias "em casa", ou seja, na residência de Santa Marta dentro do Vaticano, diminuirá seu ritmo de trabalho nesses dias de verão.

Leio coisas de que gosto, ouço música. Acima de tudo, rezo", explicou, admitindo "sofrer de alguns problemas de nervos que devem ser tratados".

"Uma de minhas neuroses é que sou muito caseiro (...) A última vez que tirei férias fora de Buenos Aires foi em uma comunidade jesuíta em 1975".

AFP