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Francisco acena para a multidão reunida na Praça Bolívar, em Bogotá

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O Papa Francisco pediu que promovam "caminhos de solidariedade, justiça e concórdia" na Venezuela e aos colombianos que "não percam a esperança" em sua chegada nesta quarta-feira a um país que tenta superar o último conflito armado do continente.

"Que ninguém os engane, não se deixem perder a esperança", disse Francisco aos fiéis que se reuniram na nunciatura em Bogotá antes de lhes dar a benção.

O papa foi recebido pelo presidente Juan Manuel Santos e antes de iniciar seu primeiro percurso no papamóvel, saudou militares e policiais feridos em combate.

No aeroporto, o filho de uma ex-refém das Farc que nasceu em cativeiro lhe entregou a escultura de uma pomba, símbolo da paz.

"Depois de tantos anos, guerra e conflito, quem melhor do que o Santo Padre para nos estimular a dar o primeiro passo à reconciliação", afirmou Santos à imprensa.

- "Não se deixem vencer" -

Milhares de pessoas foram às ruas das as boas-vindas a Francisco em sua chegada à Colômbia, que é o sétimo país com mais católicos no mundo.

"Que viva a paz", gritavam os fiéis.

O pontífice argentino, de 80 anos, chegou às 16h36 locais (18h36 de Brasília) ao aeroporto militar Catam, em Bogotá, para uma histórica viagem de cinco dias, que contará com atos e missas em quatro cidades.

"Envio saudações cordiais à sua excelência (presidente Nicolás Maduro) e a todas as pessoas da Venezuela. Orando para que todos na nação possam promover caminhos de solidariedade, justiça e concórdia. Invoco particularmente a benção de Deus para a paz a todos vocês", declarou o pontífice.

O Papa pediu "uma oração para que possa haver diálogo com todos" no país, que vive meses de protesto contra Maduro.

A visita do Papa, que inclui as cidades de Bogotá, Villavicencio, Medellín e Cartagena, "é uma viagem especial (...) para ajudar a Colômbia a seguir em frente em seu caminho de paz".

Primeira missa -

Na quinta-feira, Francisco oficiará em Bogotá a primeira das quatro missas na Colômbia e se reunirá cm hierarcas da Igreja católica na Venezuela durante um encontro com o Conselho Episcopal Latino-americano.

Centenas de venezuelanos que migraram por causa da crise política e econômica são esperados na cerimônia.

"Tudo o que o papa puder fazer é bem-vindo e deve ser bem visto. Ele não é o responsável (pela situação), somos nós", disse à AFP María Ramírez, uma venezuelana de 50 anos que chegou a Bogotá há dois anos fugindo da insegurança e da escassez de produtos em seu país.

- Reconciliação -

A 70 km de Bogotá, na cidade de Villavicencio, Francisco vai liderar o ato mais relevante durante sua viagem de cinco dias.

Afetada pela violência da guerrilha e paramilitar, a região receberá uma missa e um encontro de oração para reconciliar um país que, por meio século, sofreu com um violento conflito armado. O evento contará com as presenças de vítimas e de algozes arrependidos.

O confronto entre guerrilhas, paramilitares e forças do Estado deixou 7,5 milhões de vítimas, entre mortos, desaparecidos e deslocados.

Nas missas e visitas de que Francisco participará nas quatro cidades colombianas, um país de 48 milhões de habitantes e de maioria católica, os organizadores calculam que serão dois milhões de fiéis em Bogotá; um milhão em Medellín, assim como em Villavicencio; além de cerca de 750.000 presentes em Cartagena.

As autoridades do Vaticano calculam que 700.000 pessoas devem saudar o papa ao longo do percurso de 15 quilômetros entre o aeroporto de Bogotá e a nunciatura.

Francisco dormirá todas as noites na sede da nunciatura apostólica de Bogotá. A partir deste local seguirá a cada dia para diferentes cidades.

A força pública colombiana se encarregará de velar pela segurança de Francisco. Além disso, haverá 19.660 voluntários.

Na segunda-feira, Francisco enviou aos colombianos uma mensagem: "Querido povo da Colômbia, dentro de poucos dias visitarei o vosso país. Irei como peregrino de esperança e paz".

O Papa reconhece "a constância em busca da paz e da harmonia" do povo colombiano e assegura que a paz que a Colômbia "quer há muito tempo e trabalha para consegui-la" dever ser "estável, duradoura, para nos vermos e nos tratarmos como irmãos, nunca como inimigos".

Francisco chega ao país em um momento particularmente positivo depois que a última guerrilha ativa do país, o ELN, anunciou um cessar-fogo temporário.

O papa respaldou sem hesitação as negociações que permitiram o desarmamento de 7.000 combatentes e a transformação da guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em partido político.

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AFP