O papa Francisco recebeu no Vaticano, nesta quinta-feira (13), Luiz Inácio Lula da Silva em um encontro privado e particularmente significativo após o ex-presidente ter passado mais de um ano e meio na prisão.

Lula chegou ao Vaticano por volta de 15H30 no horário local a bordo de um automóvel com vidro fumê.

A reunião durou cerca de uma hora. A Santa Sé não vai divulgar um comunicado oficial devido a seu caráter privado.

"O motivo da minha visita é falar com o papa sobre a questão da desigualdade e a defesa de uma boa política para o meio ambiente", explicou Lula em declarações à imprensa na sede romana do maior sindicato italiano, o CGIL, onde foi recebido por um grande grupo de representantes e líderes sindicais italianos.

"Todo mundo sabe que o mundo é cada vez mais afetado pelas desigualdades. Na maioria dos países, os trabalhadores estão perdendo seus direitos. As conquistas alcançadas estão sendo perdidas por causa de interesses financeiros", afirmou Lula.

O ex-presidente solicitou um adiamento de um interrogatório previsto para 11 de fevereiro em Brasília para poder viajar à Itália e ao Vaticano entre os dias 12 e 15.

A Justiça adiou o interrogatório, ligado à Operação Zelotes, para dia 19 de fevereiro.

Lula espera em liberdade o julgamento de todos os recursos do processo em que foi condenado em segunda instância pelo caso do tríplex no Guarujá.

"Não falamos com o papa do presidente (Jair) Bolsonaro nem da Amazônia", disse Lula à margem da coletiva de imprensa.

Em sua primeira viagem ao exterior após deixar a prisão, Lula elogiou a "garra" do pontífice, caracterizando-o como um "gigante".

"Quando o papa Francisco pede um encontro em Assis para discutir a desigualdade, acho que é uma decisão que deve inspirar o mundo", afirmou Lula.

O ex-presidente é bem quisto na Itália, onde houve diversas manifestações de solidariedade durante seus 580 dias de prisão, pedindo sua liberdade.

Lula se reuniu com dirigentes do governista Partido Democrático, entre eles seu secretário-geral, Nicola Zingaretti.

"Conversa muito linda com Lula, um protagonista extraordinário das batalhas para combater as desigualdades", comentou o dirigente de esquerda italiano.

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