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Cabul não reconhece a linha Durand, sua fronteira com o Paquistão, de 2.400 km de comprimento, traçada pelos britânicos em 1896

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Paquistão e Afeganistão planejam recorrer ao Google Maps para resolver uma disputa fronteiriça que na semana passada provocou confrontos letais, indicaram autoridades de ambos os países nesta segunda-feira.

Ao menos oito civis perderam a vida em ambos os lados da fronteira em uma troca de tiros que começou na sexta-feira quando uma equipe encarregada de realizar um censo com a população paquistanesa nesta zona se dirigiu, escoltada por guardas militares, a regiões contestadas.

Cabul não reconhece a linha Durand, sua fronteira com o Paquistão, de 2.400 km de comprimento, traçada pelos britânicos em 1896.

Segundo um responsável dos serviços de segurança paquistaneses, que pediu o anonimato, "responsáveis pela Comissão geológica dos dois países realizarão um estudo no qual também utilizarão o Google Maps".

Perguntadas a respeito, as autoridades afegãs não se mostraram tão taxativas. Um porta-voz do governo afegão desmentiu que este estudo tivesse sido combinado.

"As equipes técnicas de ambos os países utilizarão GPS, Google Maps e outros meios para" determinar que parte dos povoados envolvidos está em qual país, declarou, no entanto, o chefe da polícia de Kandahar, o general Abdul Raziq.

O Paquistão iniciou em março seu primeiro censo em quase 20 anos, um trabalho enorme para um país considerado o sexto mais populoso do mundo.

Não se sabe se a equipe do censo paquistanês se aventurou ao outro lado da fronteira, em território afegão, como afirma Cabul.

Em 2016, o Paquistão começou a reforçar a fronteira com trincheiras e barreiras, o que Cabul encarou com hostilidade.

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