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Para Bolsonaro, democracia e liberdade existem quando Forças Armadas querem

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, participa de um ato de comemoração dos 211 anos dos Naval Fuzileiros de seu país, no dia 7 de março de 2019 no Rio de Janeiro. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. março 2019 - 20:33
(AFP)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (7) que democracia e liberdade só existem quando as Forças Armadas querem, em declarações rapidamente relativizadas por seu vice.

Capitão do Exército na reserva, Bolsonaro fez estas declarações durante um ato no Corpo de Fuzileiros Navais do Rio de Janeiro. Ele se disse decidido a governar "ao lado das pessoas de bem do nosso Brasil, daqueles que amam a pátria, daqueles que respeitam a família, daqueles que querem aproximação com países que têm ideologia semelhante à nossa, daqueles que amam a democracia e a liberdade".

"E isso, democracia e liberdade, só existe quando a sua respectiva Forças Armadas assim o quer" (sic), acrescentou Bolsonaro, admirador declarado da ditadura militar (1964-1985).

Pouco depois, o vice-presidente Hamilton Mourão, general da reserva do Exército, assegurou a jornalistas em Brasília, que o presidente foi "mal interpretado".

"O presidente falou que onde as Forças Armadas não estão comprometidas com democracia e liberdade, esses valores morrem. É o que acontece na Venezuela", afirmou Mourão, que desde que o governo assumiu, em 1º de janeiro, tem agido como um moderador das posturas e dos comentários mais radicais do presidente.

Mais tarde, o também general da reserva Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, saiu em defesa do presidente em uma transmissão ao lado do próprio Bolsonaro, na qual minimizou o impacto das declarações.

"Isso aí não tem nada de polêmico. Ao contrário, as suas palavras foram ditas de improviso para uma tropa qualificada", afirmou Heleno. "Tentaram distorcer isso como se [a democracia e a liberdade] fosse um presente dos militares para os civis, não é nada disso", acrescentou o general, que tem forte ascendência sobre o presidente.

"As Forças Armadas são, por determinação constitucional, as detentoras do emprego legal da violência. Isso pode chocar alguns, mas é o que está escrito", disse o ministro.

Bolsonaro, que esta semana causou polêmica ao reproduzir em sua conta no Twitter um vídeo obsceno sobre o carnaval, pediu aos militares que aceitem fazer sacrifícios, permanecendo mais tempo em serviço antes de terem direito a deixar a ativa, em um momento em que o governo enfrenta a reforma da Previdência.

"Peço também o sacrifício porque entraremos, sim, na nova Previdência, que atingirá os militares. Mas não deixaremos de lado e não esqueceremos as especificidades do cargo de vocês", afirmou.

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