AFP

Papa Francisco em 13 de abril no Vaticano

(afp_tickers)

O governo e a oposição na Venezuela "utilizam o papa e o Vaticano e são pouco confiáveis", afirmou nesta quarta-feira em Roma Luis Badilla, diretor da página religiosa Il Sismografo, quando perguntado sobre a mediação da Santa Sé nesse país mergulhado na violência.

"O governo e os 17 partidos da oposição na Venezuela não têm sido interlocutores honestos e sinceros com o Vaticano. Eles usam o Vaticano e o papa", comentou à AFP o chileno Badilla ao analisar as razões para o Vaticano manter particular prudência frente a onda de protestos no país que deixou quase trinta mortos.

"Nem o governo nem a oposição dão garantias de sinceridade, transparência e respeito dos acordos", afirma o especialista, jornalista por anos na Rádio Vaticano e fundador da página 'não oficial' da Santa Sé.

"O papa e o Vaticano estão dispostos a fazer qualquer coisa para salvar a Venezuela", disse ele.

Os esforços em dezembro do ano passado do Vaticano não deram resultados, porque a diplomacia da Santa Sé não interveio sobre o que está acontecendo, expressando apenas "preocupação" e reiterando as chamadas para o diálogo.

A diplomacia do Vaticano não reconhece uma mediação no conflito entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição, considerando-se apenas um "facilitador" do diálogo, segundo fontes do Vaticano.

No ano passado, Francisco enviou a Caracas, como seu enviado especial, um dos diplomatas mais experientes da Santa Sé, o arcebispo italiano Claudio Maria Celli. O arcebispo, que conhece bem a América Latina, fracassou em sua tentativa de promover um diálogo nacional.

O papa Francisco, que manifestou diversas vezes sua preocupação pela Venezuela, transmitiu recentemente sua "solidariedade" ao cardeal venezuelano Jorge Urosa Savino, arcebispo de Caracas que foi insultado em meados de abril durante uma missa em seu país.

AFP

 AFP