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Paraguai quer cooperar com Argentina para esclarecer morte de menores em operação antiguerrilha

Profissionais forenses carregam um caixão contendo os restos mortais de uma menina argentina de 11 anos morta em uma operação militar contra um grupo guerrilheiro, em um necrotério em Assunção, em 5 de setembro de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 05. setembro 2020 - 21:11
(AFP)

O Paraguai expressou sua vontade de cooperar com as autoridades argentinas para esclarecer a morte de duas menores de idade em um confronto armado na última quarta-feira (9) nas selvas do norte do país com um grupo guerrilheiro, informou o Ministério das Relações Exteriores.

O país, porém, também pediu ajuda ao governo do presidente Alberto Fernández para esclarecer as motivações que levaram as meninas ao acampamento guerrilheiro, bem como a nacionalidade e situação civil de ambas e a idade de uma delas.

As duas menores, que segundo seus documentos argentinos tinham 11 anos, morreram em um confronto do exército com o grupo guerrilheiro Exército do Povo Paraguaio (EPP), que atua desde 2008 no departamento de Concepción, no norte do país.

Em nota, o ministério paraguaio se mostrou surpreso com as duras condições expostas na sexta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores da Argentina, que exigiu do governo do Paraguai "o esclarecimento urgente e a identificação dos responsáveis pela morte de duas argentinas de 11 anos".

"O Governo da República do Paraguai, depois de tomar conhecimento com surpresa das declarações do comunicado (argentino), expressa sua plena disposição de manter canais abertos de cooperação com as autoridades argentinas a fim de compartilhar informações sobre as circunstâncias em que se desenrolaram os eventos com consequências trágicas", disse o ministério.

As autoridades do Paraguai suspeitam que as meninas que morreram na operação militar contra os insurgentes (de viés marxista-leninista) sejam paraguaias registradas como argentinas de forma irregular, já que há evidências de que elas nasceram em território paraguaio com mãe e pai paraguaios.

Integrantes do grupo armado ilegal afirmam que elas tinham 11 anos, mas especialistas forenses que examinaram os corpos acreditam que pelo menos uma delas tinha mais de 16 anos.

O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai manifestou seu interesse em colaborar com a Argentina "para realizar os testes de DNA necessários para estabelecer seus vínculos com as pessoas que as registraram" com o documento de identidade argentino.

Para as autoridades paraguaias, a Força Tarefa Conjunta desferiu um duro golpe contra os guerrilheiros ao entrarem em seu acampamento principal, onde as duas garotas foram mortas.

Pouco depois da incursão militar, o presidente Mario Abdo condenou o uso de menores recrutados pelo EPP e destacou que as meninas foram "expostas de forma covarde e irresponsável".

Os corpos das duas foram transferidos neste sábado da cidade de Ybiya-ú para a capital Assunção, para a realização de uma autópsia e extração de amostras de DNA, informaram fontes do Ministério Público à AFP.

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