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Foto divulgada em 21 de julho de 2016 pela Universidade de Cambridge mostra palitos de higiene pessoal de 2.000 anos de antiguidade, deixados por mercadores que faziam a Rota da Seda na parada de Xuanquanzhi, em Dunhuang, no noroeste da China

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Os comerciantes que viajavam pela antiga Rota da Seda entre a China e o Mediterrâneo levavam com eles não apenas ouro, tecidos, especiarias e chá, mas também parasitas intestinais - revelou um grupo de pesquisadores nesta sexta-feira (22).

Há muito tempo foi teorizado que a Rota da Seda ajudou a espalhar a peste bubônica, a lepra, o antraz e outras doenças infecciosas entre o leste da Ásia, o Oriente Médio e a Europa - embora não houvesse provas arqueológicas concretas.

Mas agora a análise do conteúdo de uma latrina antiga ao longo da rota revelou evidências de que os comerciantes de fato espalharam a doença 2.000 anos atrás.

A equipe de cientistas do Reino Unido e da China examinou fezes preservadas em pedaços de paus de madeira e bambu envoltos em trapos - o papel higiênico da época - que foram escavados em 1992 no ponto de parada de Xuanquanzhi, em Dunhuang, no noroeste da China.

Desenterrados de uma latrina de 111 a.C., durante a dinastia Han na China, que foi usada até 109 d.C., sete amostras continham ovos de quatro tipos de parasitas: nematelmintos, trichuris, tênia e fascíola hepática chinesa, escreveram os pesquisadores na revista científica Journal of Archaeological Science: Reports.

A fascíola, um parasita que causa dor, diarreia, icterícia e câncer de fígado, precisa de um ambiente úmido para completar um ciclo de vida, enquanto Dunhuang é uma região árida à beira do deserto.

"A fascíola hepática não pode ter sido endêmica nessa região seca", disse um comunicado da Universidade de Cambridge, cujos pesquisadores participaram do estudo.

"Com base na prevalência atual da fascíola hepática chinesa, sua região endêmica mais próxima ao local da latrina em Dunhuang fica a cerca de 1.500 km de distância, e a espécie é mais comum na província de Cantão, a cerca de 2.000 km de Dunhuang".

Xuanquanzhi, em Dunhuang, era uma escala popular para comerciantes, exploradores, soldados e funcionários do governo.

"Encontrar evidências desta espécie (fascíola hepática) na latrina indica que um viajante veio pra cá a partir de uma região da China com água abundante, onde o parasita era endêmico", disse o coautor do estudo Piers Mitchell.

"Isto prova pela primeira vez que os viajantes ao longo da Rota da Seda realmente foram responsáveis ​​pela disseminação de doenças infecciosas ao longo deste percurso no passado", completou.

A Rota da Seda, chamada assim devido ao principal produto que transitava por ela, era uma rede interconectada de rotas comerciais que atravessavam a Eurásia.

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AFP