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O ministro alemão da Economia, Wolfgang Schaeuble (E), e o novo mistro francês da Economia, Bruno Le Maire, durante coletiva em Berlim, em 22 de maio de 2017

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Após declarações, ações concretas: a França e a Alemanha se comprometeram nesta segunda-feira a acelerar a integração na zona do euro, em nome do crescimento econômico e do emprego, e para resistir ao populismo.

"Há anos falamos sobre o avanço na integração da zona do euro", declarou o ministro francês da Economia, Bruno Le Maire, nomeado em 17 de maio, durante a sua primeira visita a Berlim desde que tomou posse.

"Agora estamos determinados a fazer avançar as coisas mais rápido, de uma forma muito concreta", ressaltou durante uma coletiva de imprensa conjunta com o alemão Wolfgang Schäuble, que permitiu demonstrar o bom entendimento entre as duas partes, como fez na semana passada a chanceler Angela Merkel e o novo presidente francês Emmanuel Macron.

Le Maire e Schäuble anunciaram a criação de um grupo de trabalho que irá apresentar propostas "muito concretas" para progredir na integração na zona do euro.

O francês citou uma "convergência fiscal", um "assunto sobre o qual falamos há anos", mas que dessa vez será levado adiante. Outros tópicos incluem a "coordenação das políticas econômicas" e os investimentos franco-alemães comuns.

De acordo com Schäuble, os primeiros trabalhos do grupo serão apresentados em um conselho de ministros em julho.

"Sabemos que o reforço da união monetária é de importância capital e temos convicção de que a França e a Alemanha têm uma responsabilidade particular de estarem à frente", ressaltou o ministro alemão.

Os dois homens aderiram ao discurso de Macron e Merkel, que querem dar um novo impulso à Europa, em dificuldades em razão do crescimento dos movimentos populistas e da decisão do Reino Unido de deixar a família europeia.

Os dois ministros também pretendem trabalhar na questão institucional, a fim de conduzir a criação de um governo econômico da zona do euro.

Os chefes da diplomacia alemã e francesa, Sigmar Gabriel e Jean-Yves Le Drian, que também se encontraram nesta segunda-feira, em Berlim, ressaltaram a importância das iniciativas franco-alemães no domínio econômico, de segurança e de defesa.

Brexit, uma oportunidade ?

"Trata-se de mostrar concretamente que a França e a Alemanha podem representar uma nova e moderna Europa e fazer avançar o processo", declarou o ministro alemão.

Le Drian também lançou um apelo a "uma fase de aceleração e construção (...) do motor franco-alemão", no centro da construção europeia.

A questão da revisão dos tratados europeus desejada por Macron, mas vista com desconfiança na Alemanha, aparentemente não foi abordada nesta segunda. "Acredito que não devemos perder tempo falando apenas do médio prazo e de revisões" dos tratados, disse Gabriel.

Além disso, Le Maire tentou tranquilizar sobre o "Brexit", considerando que também poderia permitir que "nossas empresas financeiras sejam mais atraentes do que eram antes".

Ele, no entanto, nada comentou sobre as difíceis negociações a serem iniciadas em breve para definir as condições de saída do Reino Unido da UE, depois que os Estados-membros do bloco confirmaram nesta segunda-feira o mandato do seu enviado, o francês Michel Barnier.

Antes de partirem juntos para Bruxelas, para uma reunião de ministros das Finanças do Eurogrupo, os dois ministros finalmente expressaram confiança em um acordo futuro do caso grego, com Schäuble elogiando as medidas de austeridade tomadas recentemente por Atenas.

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