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Multidão se aglomera nos arredores de uma igreja copta de Alexandria após a explosão de uma bomba

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O Parlamento egípcio aprovou nesta terça-feira o estado de emergência em todo o país decretado pelo presidente Abdel Fatah Al Sisi, depois dos violentos atentados de domingo contra duas igrejas cristãs coptas, anunciou a televisão estatal.

Segundo a Nile News, os deputados votaram por unanimidade a medida, que foi publicada no diário oficial de segunda-feira e se tornou efetiva no mesmo dia.

"Pelo que vi, não houve objeção", afirmou à AFP um dos deputados, Ahmed al Tantawi.

Outro legislador, Mohamed el Etmany, afirmou, por sua vez, que "não houve quase rejeição".

O Parlamento analisou esse pedido do estado de emergência, o primeiro desde 2013, após os atentados contra duas igrejas coptas que deixaram 45 mortos no domingo.

O estado de emergência aumenta consideravelmente os poderes da polícia em termos de detenções e vigilância. Também permite a imposição de restrições à liberdade de movimento.

O presidente anunciou a medida no domingo, mas antes precisava da aprovação do Parlamento, uma formalidade porque o presidente tem maioria na Câmara dos Deputados.

O estado de emergência vigorou por três décadas, sob o mandato de Hosni Mubarak, e sua revogação foi uma das principais demandas dos militantes que protagonizaram a revolta de 2011, que provocou o fim de seu governo.

Suprimida em 2012, a medida foi restabelecida durante um mês após a queda do presidente islamita Mohamed Mursi, um ano depois, enquanto as forças de segurança reprimiam com violência os simpatizantes de Mursi.

O estado de emergência, no entanto, permanece em vigor há vários anos em parte do norte da península do Sinai, onde o grupo extremista Estado Islâmico (EI) é muito ativo.

O anúncio do presidente foi feito horas depois dos atentados reivindicados pelo EI contra duas igrejas cristãs coptas, em Alexandria e Tanta, ao norte do Cairo, em plena celebração do Domingo de Ramos.

Com 45 mortos, estes foram os atentados mais violentos nos últimos anos contra os coptas, que representam 10% dos 92 milhões de habitantes do país.

Depois de ordenar a mobilização do exército para proteger as "infraestruturas vitais" do país, o chefe de Estado pediu medidas para "assegurar uma proteção total das fronteiras".

O grupo EI, cujo braço egípcio ameaçou recentemente intensificar os ataques contra os coptas, afirmou que os dois atentados foram executados por homens-bomba egípcios.

Os coptas ortodoxos do Egito formam a comunidade cristã mais numerosa do Oriente Médio e também a mais antiga. Eles se consideram vítimas de discriminações por parte das autoridades e da maioria muçulmana.

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