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(2016) Painel com a imagem de Erdogan e boneco representando Güllen, em Ancara

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Uma comissão parlamentar encarregada de investigar a tentativa de golpe de Estado de 15 de julho na Turquia publicou nesta sexta-feira em seu relatório que, como era esperado, atribui a ação à rede do clérigo islâmico Fethullah Gülen.

O relatório estabelece "claramente e com certeza" que o movimento liderado por Gülen, o qual Ancara chama pelo acrônimo Feto (Organização Terrorista dos Partidários de Fethullah), estava por trás da tentativa de golpe de Estado contra o presidente Recep Tayyip Erdogan, declarou Resat Petek, presidente da comissão investigadora.

"Fica claro que Feto, sob a suposta direção de Fethullah Gülen, decidiu e realizou a tentativa de golpe de Estado de 15 de julho", afirmou, segundo declarações divulgadas pela agência de notícias pró-governo Anadolu.

O relatório também assinala "uma fraqueza em matéria de Inteligência" que impediu os Serviços Secretos de se inteirar sobre a preparação do golpe com antecedência suficiente.

O documento, que indica que os Serviços Secretos turcos "em sua estrutura atual não correspondem às necessidades internas e externas" em matéria de Inteligência, convida as autoridades a revisar seus "pontos fracos" e seus "problemas".

O golpe de Estado frustrado, liderado por militares rebeldes, causou cerca de 250 mortos, sem contar os golpistas e os milhares de feridos. Ancara acusou rapidamente Gülen, um ex-aliado de Erdogan que se converteu em seu inimigo máximo, de estar por trás da tentativa e por ter se infiltrado nas instituições do país para construir um "Estado paralelo".

Gülen, que vive exilado nos Estados Unidos, sempre negou estar envolvido nos acontecimentos de julho de 2016.

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