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(Arquivo) O ministro do Interior venezuelano, Néstor Reverol, em Caracas, em 8 de setembro de 2016

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A maioria opositora do Parlamento venezuelano aprovou, nesta quinta-feira (8), uma moção de censura contra o ministro do Interior, general Néstor Reverol, acusando-o de cometer violações dos direitos humanos durante os protestos contra o presidente Nicolás Maduro.

Em 70 dias de manifestações, foram 66 mortos.

O Legislativo responsabiliza Reverol por "atuações" de policiais e militares "em violação dos direitos humanos das pessoas que participaram de manifestações pacíficas durante os meses de abril, maio e junho", segundo o texto aprovado.

O general Reverol, sobre quem pesam sanções dos Estados Unidos por suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, foi convocado pelos deputados para prestar esclarecimentos na última terça (6). Ele não compareceu ao Palácio Legislativo.

A oposição denuncia uma "repressão selvagem" por parte de militares e de homens da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), sob comando de Reverol. Esses agentes são acusados de usar bombas de gás lacrimogêneo e de dar tiros de cartucho.

O governo rebate, acusando as lideranças da oposição de promoverem "atos de terrorismo" para dar um golpe de Estado.

"Com suas mensagens de ódio, encheram de dor e morte as ruas da Venezuela", afirmou o vice-presidente Tareck El Aissami, em uma declaração transmitida pela emissora estatal VTV.

Segundo a Constituição, o voto de censura implicaria destituir o ministro, mas o acordo firmado no Congresso deve ser enviado para Maduro. Além disso, todas as decisões do Parlamento são consideradas "nulas" pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

Considerado em situação de desacato pelo TSJ, o Parlamento já aprovou medidas similares contra outros ministros, mas os funcionários permaneceram em seus cargos.

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