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Alice Weidel e Alexander Gauland no congresso do AfD após serem eleitos para dirigir a campanha para as legislativas, em 23 de abril em Colônia

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Os delegados do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), reunidos em um congresso, elegeram neste domingo um membro da linha dura do partido e uma economista homossexual para dirigir a campanha da formação para as legislativas de setembro.

A nomeação de Alexander Gauland, de 76 anos, e de Alice Weidel, de 38 anos, foi aprovada por 67,7% dos quase 600 delegados do partido.

Esta decisão chega após meses de disputas internas entre líderes, que terminaram no sábado com a derrota da copresidente do partido, Frauke Petry. Os delegados rejeitaram debater sua moção destinada a impedir uma deriva do partido em direção à extrema-direita.

Gauland, uma das principais figuras dos radicais do AfD, é muito apreciado pela base e conhecido por suas declarações polêmicas, como quando lançou ataques, no ano passado, contra um jogador negro da seleção nacional de futebol, Jérôme Boateng.

Após sua nomeação, fez um discurso pedindo a unidade do partido. "Era um congresso difícil (...), agora todos os conflitos internos no partido devem cessar", apontou.

Sua colega Alice Weidel é uma ex-executiva do setor bancário de 38 anos que vive com sua companheira sentimental. Faz parte da direção do AfD, partido que insiste na defesa da família e dos casais "tradicionais".

Weidel foi uma das responsáveis por elaborar o programa econômico liberal e antieuro do AfD, e também se destaca por seu discurso duro sobre a imigração.

No domingo, ao se referir ao atentado de dezembro a um mercado de Natal em Berlim, Weidel denunciou um "escândalo", já que segundo ela os alemães não podem mais celebrar "uma festa cristã sem a proteção da polícia".

Esta dupla defenderá até as legislativas de 24 de setembro um programa anti-islã e anti-imigração, que foi adotado neste domingo.

O AfD, que capitalizou o temor vinculado à chegada de mais de um milhão de solicitantes de asilo em 2015-2016, avançou nas pesquisas até alcançar 15% das intenções de voto, um nível sem precedentes para um partido deste tipo na Alemanha pós-guerra.

Mas entre as crises internas, a redução do fluxo de chegada de migrantes e as polêmicas sobre racismo e nazismo, o partido registrou uma queda desde janeiro, chegando a entre 7% e 11% das intenções de voto, segundo as pesquisas.

O AfD parece se afastar do seu objetivo de alcançar um resultado nas legislativas de setembro que lhe permita se tornar a terceira força política do país, atrás da CDU de Merkel e do social-democrata SPD.

Para se recuperar, o partido, criado há quatro anos como um movimento antieuro, quer dar ênfase ao combate à imigração e ao Islã.

O outro copresidente do AfD, Jörg Meuthen, ganhou aplausos quando afirmou que a Alemanha está ameaçada pela islamização e que os alemães correm o risco de se tornar uma "minoria" étnica no seu próprio país.

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