Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

O premiê islandês em fim de mandato, Bjarni Benediktsson, do Partido da Independência, insere seu voto na urna em seção eleitoral de Reykjakik

(afp_tickers)

O partido do primeiro-ministro islandês, Bjarni Benediktsson, enfraquecido pelos recentes escândalos que salpicaram a classe política no país, perdeu terreno nas eleições legislativas parciais de sábado (28). A dispersão do eleitorado deve dificultar a busca por uma coalizão viável.

Segundo os resultados definitivos do escrutínio publicanos neste domingo (29), o Partido da Independência do primeiro-ministro perdeu cinco assentos, acumulando 16 dos 63 que compõem o Parlamento.

A participação foi de 81% e nenhum partido garantiu a maioria de 32 assentos.

No sistema islandês, o líder do partido que formar primeiro uma maioria torna-se presidente do país.

O partido de Benediktsson foi seguido pelo movimento Esquerda-Verdes com 11 (+1), pela social-democrata Aliança, com sete parlamentares e pelo Partido Pirata, com seis assentos.

Com um total de oito partidos concorrendo - um recorde - o cenário da nova assembleia não dá nenhuma pista de qual será a cara do futuro governo.

A formação de uma maioria de direita ou esquerda pode levar semanas, ou até meses. Após as legislativas de outubro de 2016, as negociações para formar uma coalizão levaram três meses, por exemplo.

"Estou feliz por estarmos na liderança, mas as coisas são muito complicadas. Estou otimista quanto à nossa capacidade de formar um governo", disse Benediktsson à AFP na noite de sábado.

- Esquerda à procura -

Enquanto líder do primeiro partido do país, Benediktsson deve receber o mandato do presidente para tentar formar uma maioria.

Sua principal rival, Katrin Jakobsdottir, vai precisar de pelo menos cinco aliados, segundo analistas, para formar a maioria de 32 assentos necessária para destronar os conservadores.

"Eu me preocupo que teremos que enfrentar longas e intermináveis discussões na tentativa de formar um governo", disse à AFP Arnar Thor Jonsson, professor de Direito da Universidade de Reykjavik.

Segundo especialistas, uma coalizão de três partidos com os dois principais permitiria garantir um governo forte. Entretanto, Partido da Independência e o movimento Esquerda-Verdes são ideologicamente opostos.

"Os Esquerda-Verdes deveriam engolir seu orgulho. Provavelmente, seria o governo mais estável", disse Egill Helgason, comentarista político da Ruv.

Questionada pela AFP após os primeiros resultados parciais, Jakobsdottir manteve todas as opções em aberto. "Todas os partidos estão abertos ao diálogo", disse ela.

O partido centrista Futuro Radiante somava sete lugares (+4), mas o perfil do ex-chefe de governo Sigmundur David Gunnlaugsson, demitido em 2016 após ser citado no escândalo do Panama Papers, dificulta sua participação no governo.

O Partido Popular aparece como a primeira formação populista a entrar no Parlamento islandês, com quatro assentos.

Estas são as quartas eleições legislativas desde a crise financeira de 2008, que estagnou a nação nórdica, após serem descobertas as ligações entre as elites políticas e as econômicas. Esse evento também permitiu o surgimento de um movimento popular "anti-establishment".

Apesar de ter sido ministra no governo de centro-esquerda (2009-2013) responsável pela gestão do pós-crise, Katrin Jakobsdottir consegue projetar parte deste descontentamento.

Uma mulher de esquerda com reputação íntegra, a ex-jornalista de 41 anos tem grande popularidade. Quase um em cada dois islandeses quer que ela seja a primeira-ministra.

- Escândalos -

Desde a crise, o país conseguiu uma recuperação espetacular, mas entre a população persiste a raiva e a falta de confiança em uma classe política salpicada por vários escândalos, como os Panama Papers.

Mais de 600 islandeses apareceram na publicação, um número extremamente alto para os 335.000 habitantes da ilha.

O nome de Benediktsson, então ministro das Finanças, também estava na lista. Apesar disso, tornou-se primeiro-ministro em janeiro de 2017, graças ao fracasso da esquerda em assinar um programa de maioria após as legislativas antecipadas de outubro de 2016.

O país de fato voltou a crescer: em 2016, a economia islandesa se expandiu 7,2% e no segundo trimestre de 2017 o crescimento foi de 3,4%.

Mas sua coalizão caiu depois de nove meses, após a saída de um pequeno partido, quando o primeiro-ministro foi acusado de acobertar seu pai em um imbróglio judiciário. Ele convocou, então, novas legislativas.

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP