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O reverendo Jesse Jackson, ativista americano de direitos civis, protesta contra a United Airlines no aeroporto de Chicago

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O passageiro retirado à força de um voo da United Airlines, provocando indignação em todo o mundo, sofreu uma fratura no nariz e uma concussão, disse seu advogado nesta quinta-feira, acrescentando que seu cliente tem a intenção de processar a companhia.

David Dao teve alta do hospital na madrugada desta quinta e se encontra em um "local seguro", disse o advogado, Thomas Demetrio, em uma coletiva na qual um membro da família de Dao falou pela primeira vez.

Os advogados de David Dao apresentaram uma petição em um tribunal de Chicago solicitando que a cidade, que opera o Aeroporto Internacional O'Hare, e a United Airlines mantenham as provas relacionadas ao incidente de domingo. Além disso, disseram que há uma ação judicial a caminho.

"Esta ação, entre outras coisas, com sorte, criará uma discussão não apenas nacional, mas internacional, sobre como seremos tratados no futuro", disse Demetrio.

"Durante muito tempo, as companhias aéreas, em particular a United, abusaram de nós".

Os advogados disseram também que Dao, um médico de 69 anos, sofreu lesões no seios nasais e perdeu dois dentes da frente.

"Meu pai está melhorando agora", disse Crystal Dao Pepper, de 33 anos, filha de Dao. "Estávamos completamente horrorizados e surpresos com o que aconteceu com o meu pai", contou.

O incidente gerou uma forte pressão contra a United. O diretor-executivo da companhia, Oscar Muñoz, pediu desculpas pelo ocorrido na terça-feira, e reiterou o pedido na quarta, afirmando que não iria renunciar.

O Departamento de Transporte dos Estados Unidos abriu uma investigação na terça-feira "para determinar se a companhia aérea cumpriu as normas sobre excesso de reservas".

As companhias americanas podem obrigar os passageiros a sair dos voos com overbooking em troca de uma compensação financeira, caso não haja voluntários.

A United Airlines disse que ofereceu 800 dólares aos passageiros dispostos a renunciar a seu assento, mas, com a falta de voluntários, a companhia decidiu quais passaageiros deveriam desembarcar.

A companhia se comprometeu a abrir uma investigação interna para examinar em particular como sua equipe lida com essas situações de excesso de reservas e a política de compensação. Os resultados devem ser publicados no dia 30 de abril.

John Slater, funcionário encarregado pelas operações do aeroporto de Chicago, disse que o incidente não foi resultado da venda a mais de passagens, e sim porque a empresa precisava de quatro assentos para seus funcionários.

"Foi um fracasso de nosso sistema", admitiu Slater.

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