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Logo da Odebrecht na Vila Olímpica do Rio de Janeiro, 23 de junho de 2016

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O município de Lima anunciou, nesta quarta-feira (18), a desativação de um novo pedágio em uma estrada construída pela empreiteira brasileira Odebrecht, investigada por corrupção, após violentos protestos que deixaram feridos e presos.

O anúncio feito pelo prefeito Luis Castañeda ocorreu na véspera de uma nova manifestação convocada para quinta-feira (19) no populoso distrito de Puente Piedra, onde há duas semanas seus moradores exigem a eliminação do pedágio que os obriga a pagar cinco soles (cerca de US$ 1,50) a cada vez que passam com seus veículos.

"Quero anunciar que o pedágio de Chillón (Puente Piedra) acabou", disse Castañeda, indicando que a decisão foi fruto de uma negociação com a empresa concessionária Rotas de Lima, operadora do pedágio.

A Odebrecht, investigada por pagar subornos em troca de licitações de obras, ganhou a concessão para reformar e administrar 115 quilômetros das principais estradas da capital, sob o nome de Rotas de Lima.

"A decisão é um triunfo do povo, Lima não vai pagar pela corrupção do Brasil", assinalou o prefeito de Puente Piedra, Milton Jiménez, para quem a cobrança do pedágio foi uma condição imposta pela empresa brasileira quando assinou o contrato em 2013 para construir a estrada que cruza o distrito.

A Odebrecht reconheceu o pagamento de subornos em US$ 29 milhões no Peru para ganhar licitações entre 2005 e 2014, apesar de a concessão da via não ser mencionada na lista inicial de obras vinculadas a propinas.

O pedágio na estrada foi suspenso há uma semana por 30 dias, após um grande protesto que acabou em ataques a locais públicos e tentativas de destruição da estrutura do pedágio - que funcionava desde o início do mês. Em 5 de janeiro, a população entrou nas cabines e as incendiou.

Esta cobrança provocou uma difícil situação social, pois também impulsionou a alta das passagens de transporte público, aumentando a indignação.

A Polícia prendeu mais de meia centena de manifestantes durante os protestos, que deixaram um policial ferido por pedradas.

AFP