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O secretário de Defesa James Mattis em Washington, DC, no dia 11 de abril de 2017

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O secretário americano da Defesa, James Mattis, afirmou nesta terça-feira que "não há dúvidas" de que o regime do presidente sírio, Bashar al Assad, é o responsável pela decisão e realização de um ataque com arma química na semana passada na Síria.

"Em 4 de abril, o regime sírio atacou seu próprio povo usando armas químicas. Revisei pessoalmente a informação de Inteligência e não há dúvidas de que o regime sírio é responsável pela decisão de atacar e pelo ataque em si", disse o chefe do Pentágono durante coletiva de imprensa.

"Em resposta ao ataque", autoridades de segurança nacional dos Estados Unidos apresentaram "opções diplomáticas e militares" ao presidente Donald Trump, explicou Mattis, acrescentando também ter havido conversas com aliados de Washington.

"O Conselho de Segurança Nacional considerou a proibição internacional ao uso de armas químicas, as repetidas violações do regime sírio à lei internacional e os assassinatos inexplicavelmente brutais que o regime cometeu", afirmou.

"Nós decidimos que uma resposta militar estudada seria a melhor para evitar que o regime fizesse isto de novo", acrescentou.

A represália americana, lançando 59 mísseis de cruzeiro contra uma base aérea síria, deixou claro que Washington "não permanecerá passivo enquanto Assad ignora a legislação internacional e usa armas químicas que havia declarado destruídas", disse.

O chefe do Pentágono apontou que, apesar do ataque contra as forças de Assad, a política dos Estados Unidos para a Síria "não mudou", e que sua prioridade "continua sendo a derrota do (grupo extremista) Estado Islâmico".

"O ISIS representa um perigo claro e presente, uma ameaça imediata à Europa e finalmente aos Estados Unidos", afirmou, usando o acrônimo em inglês para o grupo extremista.

Em relação às tensões que surgiram com a Rússia em consequência do ataque militar à Síria, Mattis disse que o governo americano não permitirá que a situação fique "fora de controle".

"Mantemos comunicações com os militares russos e temos canais diplomáticos. Não se tornará uma espiral fora de controle", disse Mattis, acrescentando que um quadro de descontrole "também não é do interesse" da Rússia.

As declarações de Mattis se seguiram após a chegada, nesta terça-feira, do secretário de Estado americano, Rex Tillerson, à Rússia, onde ele deverá confrontar o governo russo sobre seu apoio a Assad.

Um alto funcionário americano, que falou sob a condição do anonimato, disse que Washington estava investigando se a Rússia agiu como cúmplice no ataque químico.

"Como é possível que suas forças estivessem aquarteladas junto com as forças sírias que planejaram, prepararam e realizaram este ataque com armas químicas na mesma instalação, e não tiveram conhecimento prévio?", questionou o funcionário.

Nesta terça-feira, o uso de armas químicas na Síria gerou uma nova polêmica quando o secretário de imprensa da Casa Branca, Sean Spicer, tentou reforçar a responsabilidade de Assad no ataque sugerindo que Adolf Hitler não usou armas químicas.

"Alguém tão desprezível como Hitler nem sequer foi tão baixo [a ponto de] usar armas químicas", disse Spicer durante uma entrevista coletiva.

O comentário, no primeiro dia de comemorações da Páscoa judaica, surpreendeu a imprensa, que deu a Spicer a oportunidade de esclarecer sua fala quando os jornalistas gritaram: "e o Holocausto?".

"Sobre o gás sarin, ele não usou gás contra seu próprio povo da mesma forma que Assad [...] Hitler usou nos centros do Holocausto, eu entendo, mas estou falando da maneira como Assad utilizou, deixando cair sobre pessoas inocentes no meio das cidades. Obrigado pelo esclarecimento, mas esta não era a intenção", disse Spicer.

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