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O promotor argentino Alberto Nisman, em 16 de julho de 2013, em Buenos Aires

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A Justiça concluiu a perícia do local da morte de Alberto Nisman, o promotor que acusou a presidente argentina, Cristina Kirchner, de acobertar iranianos no caso Amia - informou uma fonte judicial nesta sexta-feira à AFP.

"É contrário à mesma natureza da prova e cientificamente inadmissível sustentar que houve outra pessoa no banheiro" no momento do disparo, noticiou o jornal "La Nación", citando um parágrafo da perícia vazado para a imprensa local.

O relatório será divulgado oficialmente pela Procuradoria no final de julho.

Quatro peritos policiais e um do único indiciado no caso, Diego Lagomarsino, colaborador de Nisman, reforçam a hipótese de suicídio, de acordo com "La Nación".

Nisman apareceu morto com um tiro na cabeça, no banheiro de seu apartamento, em 18 de janeiro passado, quatro dias depois de acusar Cristina Kirchner de acobertar ex-governantes iranianos suspeitos de envolvimento no atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 1994.

Uma bomba destruiu a instituição, deixando 85 mortos e 300 feridos.

Em 2006, com apoio do governo do falecido presidente Néstor Kirchner, marido de Cristina, Nisman acusou iranianos pelo ataque, entre eles o ex-presidente Ali Rafsanjani.

Nisman se opôs, porém, ao acordo de 2013 com o Irã para formar uma comissão internacional de juristas e interrogar os acusados no país natal.

A denúncia de Nisman contra Kirchner - por promover aquela comissão - foi rejeitada por um juiz e por dois tribunais de Alçada por falta de provas e inexistência de delito.

Nisman havia pedido emprestado a Lagomarsino a pistola calibre 22, usada em sua morte. A arma foi encontrada em uma poça de sangue, com a porta do banheiro entreaberta. A primeira pessoa a entrar no apartamento foi a mãe do promotor, Sara Garfunkel.

O perito contratado pelos familiares do falecido assinou um boletim com conclusões contrárias e criticou a forma como as provas foram coletadas, acrescentou "La Nación".

Os peritos da família garantem que Nisman foi assassinado e levantam suspeitas sobre Lagomarsino.

"Eu, no domingo, dia da morte dele, não estive (em seu apartamento) e não fui eu. É muito difícil (precisar) andar dizendo 'eu não matei alguém'", declarou Lagomarsino esta semana, em entrevista a um programa da televisão espanhola.

O governo alega que, por trás da denúncia de Nisman contra Kirchner, havia interesses de Estados Unidos e Israel, na tentativa de sabotar o acordo nuclear com Teerã. Já a oposição acusou o governo de não ter protegido Nisman.

AFP