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Peregrinos muçulmanos rodeiam o Kaaba, mais sagrado santuário do Islã, no centro da Grande Mesquita, em Meca, na Arábia Saudita, em 27 de agosto de 2017

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Mais de dois milhões de muçulmanos do mundo inteiro começaram, nesta quarta-feira (30), a peregrinação a Meca, um rito com várias etapas no lugar mais sagrado do Islã.

As autoridades sauditas mobilizaram um reforçado dispositivo de segurança, incluindo mais de 100.000 homens, dois anos depois que uma gigantesca confusão deixou cerca de 2.300 mortos - muitos pisoteados - durante o "hajj", um dos cinco pilares do Islã.

Além disso, o "hajj" acontece sob a ameaça do grupo extremista Estado Islâmico, cercado no Iraque e na Síria, mas que continua espalhando o terror, em especial no Oriente Médio e na Europa.

Ao amanhecer desta quarta, já se podia sentir o fervor religioso na Esplanada da Grande Mesquita, com os peregrinos prontos para chegar a Mina, cinco quilômetros ao leste de Meca.

Enquanto alguns esperam no ônibus, outros cumprem o "tawaf", o ritual de dar sete voltas em torno da Kaaba, uma construção cúbica envolta em um pesado manto preto com versículos do Alcorão bordados em ouro. Muçulmanos de todo mundo oram em sua direção.

Nur, uma saudita de 30 anos, acelera o passo. "Ainda tenho de terminar o tawaf" antes de ir para Mina, explica ela, sem se deter.

Já Risvana parece mais tranquila. Sentada em uma cadeira dobrável no meio da esplanada, ela segura seu bebê de seis meses, com quem espera fazer a peregrinação.

"Tenho tudo preparado para ele", afirmou, mostrando a garrafa de água na bolsa.

"A cada vez, surgem novas emoções", conta Tidjani Traore, um funcionário de Benin de 53 anos, que se prepara para sua 22ª peregrinação.

"Há inovações na organização e na recepção aos peregrinos. Agora, por exemplo, as instalações têm ar-condicionado", relata.

- Segurança: prioridade -

Enquanto isso, equipes de funcionários, asiáticos em sua maioria, limpam a esplanada com jatos d'água várias vezes ao dia.

Este ano, os peregrinos iranianos participarão do "hajj". Em 2016, eles não puderam comparecer, devido à ruptura de relações entre a república islâmica e o reino saudita.

Na confusão de 2015, 464 iranianos morreram. Alguns meses depois, Riad e Teerã romperam relações depois que uma liderança xiita foi executada na Arábia Saudita e do ataque às missões diplomáticas sauditas no Irã.

"Garantir a segurança dos peregrinos é nossa prioridade", insistiu nesta terça o porta-voz do Ministério do Interior, general Mansur Al Turki.

Este ano, a peregrinação acontece em um momento de crise entre a Arábia Saudita e seus aliados e o Catar. O reino acusa Doha de apoiar o "terrorismo" e de ser muito próximo ao Irã.

Desde 5 de junho passado, o Catar vive isolado e sob um duro embargo. O bloqueio complica a peregrinação dos catarianos, mas, na semana passada, os sauditas anunciaram que a fronteira ficaria aberta para os fiéis que quisessem ir a Meca. Além disso, aviões sauditas seriam enviados para Doha para transportá-los.

- De cadeira de rodas -

A alguns passos da Kaaba, Fatiya Taha, de 67 anos, não esconde sua alegria.

"Esperava fazer essa peregrinação há quatro anos", disse Taha, a mais velha de um grupo de egípcias, em sua cadeira de rodas.

O ápice do "hajj" será na quinta-feira, com a subida ao monte Arafat para um dia de orações e invocações.

Antes do início dos rituais, o odor do almíscar inunda os acessos. De vivas cores, kanduras, farashas e caftãs — vestes tradicionais dos países de origem dos peregrinos — estão por toda parte.

O peregrino é uma importante fonte de receita para o reino saudita.

O programa de reformas econômicas "Visão 2030", elaborado em um contexto de queda de preços do petróleo, inclui o impulso do turismo religioso. Segundo números oficiais, o número de peregrinos chegados do exterior será maior do que em 2016.

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AFP