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A Rússia idenficou Akbarjon Djalilov como suposto homem-bomba

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O perfil do suposto autor do atentado no metrô de São Petersburgo, que deixou 14 mortos, estava sendo definido nesta quarta-feira, segundo dia de luto na cidade, onde foi realizada uma missa ortodoxa em homenagem às vítimas.

Quatorze pessoas morreram e 49 ficaram feridas durante o atentado, que foi registrado na segunda-feira entre duas estações de uma linha movimentada do centro de São Petersburgo, que decretou três dias de luto.

Em Moscou, Vladimir Putin reuniu os chefes dos serviços secretos dos países da Comunidade de Estados Independentes (CEI) para uma reunião sobre a luta antiterrorista, que estava prevista antes do atentado.

Embora este ato ainda não tenha sido reivindicado, o Comitê de Investigação indicou examinar os possíveis laços de Akbarjon Djalilov, de 22 anos, com a organização extremista Estado Islâmico (EI). Esta é a primeira vez que os investigadores mencionam o EI.

"Foi realizada uma busca em seu domicílio", declarou o comitê, sem informar onde se localiza. Segundo o comunicado do Comitê de Investigação, as câmeras de vigilância mostram o rapaz "saindo de sua casa com uma bolsa e uma mochila".

Antes de acionar uma bomba artesanal entre as estações Instituto Tecnológico e Sennaya, Djalilov, nascido no Quirguistão, colocou uma segunda bomba em outra estação do centro da cidade, desativada a tempo.

Mais de 40 pessoas, entre elas testemunhas e funcionários do metrô, foram interrogadas pelos investigadores, indicou o comitê.

Segundo a polícia da região quirguiz de Och, onde nasceu, Akbarjon Djalilov chegou no dia 3 de março a São Petersburgo a partir desta região, onde seus pais viviam desde 2014.

- Missa pelas vítimas -

Na tarde de terça-feira, seus pais aterrissaram em São Petersburgo, constatou uma jornalista da AFP presente no aeroporto.

"A família Djalilov veio à Rússia em 2011 para trabalhar. Mas em 2014 os pais voltaram ao Quirguistão e seu filho Akbar (outra versão do nome Akbarjon) permaneceu em São Petersburgo", afirmou o porta-voz da polícia da região de Och, Zamir Sidikov.

Djalilov tinha a nacionalidade russa, como "toda a sua família", segundo o porta-voz, uma informação que não foi confirmada pelas autoridades russas.

Seus motivos ainda são desconhecidos, mas a região de Och é conhecida por fornecer grandes contingentes ao EI na Síria e no Iraque.

Às 12h00 locais (06h00 de Brasília) foi pronunciada uma missa em homenagem às vítimas.

Os corpos das vítimas começarão a ser devolvidos aos seus familiares, indicou o Comitê de Investigação, ressaltando que a identidade de uma delas não pôde ser estabelecida até o momento.

A vida voltou ao normal na segunda cidade da Rússia, cujo metrô estava menos movimentado que de costume, segundo uma jornalista da AFP no local.

Este atentado é um "desafio lançado a todos os russos (...) incluindo ao nosso presidente" Vladimir Putin, declarou na terça-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

O país, que dirige na Síria uma operação militar em apoio a Damasco, não havia sofrido um ataque tão duro desde a explosão em pleno voo em 31 de outubro de 2015 de um avião com 224 pessoas a bordo, que realizava a rota do Egito a São Petersburgo.

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