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Peronista Alberto Fernández vence eleições presidenciais na Argentina

Simpatizantes da chapa Alberto Fernández e Cristina Kirchner comemoram os resultados eleitorais em Buenos Aires, 27 de outubro de 2019 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 28. outubro 2019 - 00:00
(AFP)

O peronista de centro-esquerda Alberto Fernández se elegeu neste domingo (27) presidente da Argentina no primeiro turno, superando o chefe de Estado liberal Mauricio Macri, que encerrará seu mandato com a pior crise da história do país em 17 anos.

Com 95,31% das urnas apuradas, Fernández obteve 47,99% dos votos, contra 40,48% de Macri.

Para vencer no primeiro turno, Fernández precisava de 45% dos votos ou 40% mais dez pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

Com o resultado, este advogado de 60 anos, cabeça da chapa formada com a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), assumirá em 10 de dezembro a Presidência de um país com 44 milhões de habitantes e que está mergulhado em uma grave crise econômica.

"Os tempos que vêm não são fáceis (...) O único que nos preocupa é que os argentinos parem de sofrer", disse Fernández, visivelmente emocionando, que anunciou, diante de milhares de seguidores, que se reunirá na segunda-feira com Macri.

Ao seu lado, Cristina Kirchner pediu a Macri que nos últimos dias de seu mandato "tome todas as medidas necessárias para aliviar esta situação dramática".

"É um grande dia para a Argentina", disse mais cedo Fernández, exibindo um largo sorriso, ao sair com ar vitorioso de sua casa para cumprimentar os simpatizantes depois do encerramento da votação.

Em meio a um clima de tensão em vários países da América Latina, com protestos maciços em Chile, Bolívia e Equador, crise na Venezuela e eleições no vizinho Uruguai, o pleito na Argentina é chave para a configuração das forças na região.

- "Transição ordenada" -

Em suas primeiras palavras após a eleição, Macri admitiu a derrota e cumprimentou Fernández, prometendo fazer uma oposição "sadia e construtiva".

"Cumprimentei o presidente eleito Alberto Fernández. Acabo de falar com ele sobre a grande eleição que fizeram. Convidei-o a tomar café-da-manhã amanhã (segunda) na Casa Rosada (sede do Executivo) porque tem que começar um período de transição ordenada, que leve tranquilidade aos argentinos", disse Macri perante seus seguidores em seu comando de campanha em Buenos Aires.

Engenheiro, também com 60 anos, Macri termina sem mandato com um país mergulhado em sua pior crise econômica desde 2001, com uma inflação elevada (37,7% em setembro) e um aumento da pobreza (35,4%). O presidente se defende, afirmando que precisou fazer ajustes para pôr ordem no desequilíbrio econômico que encontrou ao assumir em 2015, e que a partir de agora os resultados virão.

Ao menos o Juntos pela Mudança, a coalizão presidencial, assegurou a prefeitura de Buenos Aires com a reeleição de Horacio Rodríguez Larreta, que obteve 55,51% dos votos e se manterá como chefe do Executivo da capital.

Em segundo lugar, mas bem próximo, ficou o candidato do peronismo de centro-esquerda, Matías Lammens, com 35,42% dos votos. No entanto, o candidato peronista Axel Kicillof superou María Eugenia Vidal por mais de 13 pontos e será o novo governador da província de Buenos Aires.

- "Pressão sobre o peso" -

Os investidores temem que a vitória de Fernández implique o retorno das políticas intervencionistas do kirchnerismo (2003-2015). Analistas se perguntam ainda quem vai governar: se Fernández - ex-chefe de gabinete de Cristina e seu marido, o falecido Néstor Kirchner - ou a ex-presidente de 66 anos.

Fernández garantiu mais de uma vez que os depósitos bancários argentinos estão a salvo e rechaçou que se volte a repetir o fantasma da crise de 2001, quando foram congelados os depósitos e 'pesificados' os que eram em dólares.

Mas os argentinos já deram demonstrações de pânico. Desde as primárias, houve saques em moeda americana que superaram os 12 bilhões de dólares (36,4% del total). E só na sexta-feira, o Banco Central perdeu outros US$ 1,755 bilhão em reservas para frear a desvalorização da moeda.

Na segunda, "haverá muita pressão sobre o peso e sobre os bancos, mas os mercados já anteciparam os resultados, a reação não será tão brutal como após as primárias" de agosto, vaticinou Nicolás Saldías, pesquisador do Wilson Center.

- "Confiança" -

Em meados de julho de 2018, em meio a uma corrida bancária, Macri recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que concedeu ao país um empréstimo de US$ 57 bilhões em troca de um ajuste fiscal que freou ainda mais a economia. Ainda falta a liberação de 13 bilhões de dólares, mas o FMI espera o resultado das eleições.

Fernández assegurou em várias ocasiões que cumprirá com o pagamento.

Mas além dos mercados, precisa dar segurança aos milhões de pessoas que votaram em Macri.

"Fernández deverá restaurar a confiança no kirchnerismo. Nos próximos meses e até assumir (em 10 de dezembro), Macri será o presidente e Fernández terá o poder", explicou Saldías.

"Têm que dar sinais de que trabalham juntos, caso contrário, a situação se tornará insustentável", advertiu.

Outra interrogação é o que vai acontecer com a dezena de causas judiciais abertas por suposta corrupção contra a ex-presidente, cinco com pedido de prisão preventiva da qual está isenta pelo foro privilegiado. Alguns destes casos, atingem também seus filhos, Máximo, que é deputado, e Florencia, cineasta, que está em Cuba em tratamento médico.

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