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O guerrilheiro Ernesto Che Guevara em 1967 próximo a Nancahuazu, Bolívia

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O governo Peruano, durante o primeiro mandato presidencial de Fernando Belaúnde Terry (1963-1968), forneceu ajuda alimentícia e munição para a Bolívia combater a guerrilha de Ernesto 'Che' Guevara, segundo telegramas diplomáticos tornados públicos pela chancelaria boliviana.

No dia 15 de junho de 1967, a embaixada da Bolívia em Lima notificou a sua chancelaria, mediante documentos confidenciais, da importância que o governo de Belaúnde havia dado para o assunto.

O documento divulgado pela chancelaria de La Paz e divulgado nesta segunda-feira (28) pelo tabloide La Razón data de 15 de junho de 1967, três meses depois do primeiro confronto armado entre os guerrilheiros e o Exército.

"O presidente Belaúnde me encarregou de informar ao presidente (René) Barrientos que observa atentamente o desenvolvimento das guerrilhas na Bolívia com possíveis complicações e oferece todo o apoio ao nosso governo", destaca o documento.

Em seguida, acrescenta: "disse-me estar satisfeito de que alimentos e munições peruanas estejam dando bom resultado a nossos exércitos. Interessou-se em conhecer os nomes dos guerrilheiros peruanos e ofereceu colaboração do serviço de Inteligência desse país".

A guerrilha do 'Che' contou com a participação dos peruanos Restituto Cabrera, Juan Pablo Chang e Lucio Edilverto Garvan.

A Bolívia também recebeu ajuda militar dos Estados Unidos, principalmente por meio de armas e treinamento, que foram primordiais para a derrota do 'Che'.

O jornal La Razón explicou que o arquivo faz parte de documentos que o agora ex-chanceler David Choquehuanca ordenou que se tornassem públicos em novembro de 2016, e que estarão a disposição da comissão da verdade que o governo criou na semana passada para investigar as violações aos direitos humanos, durante as ditaduras militares nas décadas de 60, 70 e 80.

O governo boliviano prepara uma série de cerimônias para comemorar no dia 8 de outubro o 50º aniversário da captura do 'Che' no sudeste do país. O guerrilheiro argentino-cubano foi executado no dia seguinte.

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AFP