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O presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, em Washington DC, em 24 de fevereiro de 2017

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O Peru chamou nesta segunda-feira para consultas seu embaixador em Caracas, após ofensas proferidas contra o presidente Pedro Pablo Kuczynski pela chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, e pelo próprio presidente Nicolás Maduro.

Em uma nota diplomática, o Peru expressa "seu mais enérgico protesto e absoluta rejeição às expressões insolentes formuladas pelo presidente da República e a ministra das Relações Exteriores da Venezuela sobre o presidente do Peru", e informa que decidiu "chamar para consultas" seu embaixador na Venezuela.

Rodríguez chamou Kuczynski de "cachorro simpático" após o presidente do Peru realizar comentários sobre a América Latina que a Venezuela considerou ofensivos.

"Senhor Kuczynski, você é um covarde (...). Se atreve a agredir a identidade latino-americana e digo aqui que o único cachorro simpático que há é você, que pede a intervenção na Venezuela. Um cachorro simpático que bate o rabo para o Império (EUA)", declarou Rodríguez em um seminário realizado nesta segunda-feira, em Caracas.

O presidente peruano afirmou no dia 25 de fevereiro, na Universidade de Princeton (Nova Jersey), que os Estados Unidos "não investem muito tempo na América Latina, pois (a região) é como um cachorro simpático que está dormindo no tapete; mas no caso da Venezuela há um grande problema".

Na sexta-feira passada, Nicolás Maduro pediu a Kuczynski que se retratasse por estas "declarações ofensivas para a identidade e o sentimento latino-americano e caribenho".

Rodríguez declarou nesta segunda-feira que além de Kuczynski há "um outro cachorro que já passou a ser do Império (EUA) e está na OEA", em referência ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro.

"São os únicos que, simpaticamente, balançam o rabo para seus donos imperialistas".

Almagro promove a aplicação da carta democrática interamericana na Venezuela, mecanismo que faculta à OEA intervir em caso de grave alteração constitucional e, em última instância, suspender o país envolvido.

Em nota de protesto entregue à embaixada da Venezuela em Lima, o governo peruano considera que estas expressões são "inaceitáveis entre dois Estados que mantêm relações diplomáticas, base sobre a qual as autoridades devem observar mútuo respeito".

O chanceler do Peru, Ricardo Luna, já havia lamentado e rejeitado "as declarações da chanceler da Venezuela, que são insolentes e inaceitáveis".

Segundo Luna, Kuczynski utilizou apenas uma "expressão metafórica" que pode ter sido entendida como uma ofensa.

AFP