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Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), saúda simpatizantes em ato de campanha em Lima

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Em eleições marcadas pela expulsão e a renúncia de metade dos candidatos, o Peru elegerá em 10 de abril o novo presidente em um processo que a OEA denomina de "semi-democrático" e que pode levar uma mulher ao poder.

"Chegamos a esta eleição com muita incerteza, com muito mal-estar, concluindo um processo não só controverso, mas irregular, com expulsões de candidatos, casos que nunca tinham sido vistos antes", disse à AFP o diretor da consultoria Vox Populi, Luis Benavente.

"Também chegamos sem convicção, sem uma causa, procurando outra vez o mal menor", acrescentou.

O simulacro de votação da Ipsos difundido no domingo confirma a liderança de Keiko Fujimori com 34,4%, enquanto o direitista Pedro Pablo Kuzcynski (16,8%) e a esquerdista Verónika Mendoza (15,5%) estavam em empate técnico no segundo lugar, devido à margem de erro de 2,3 pontos percentuais.

Vinte e três milhões de peruanos deverão eleger o sucessor de Ollanta Humala, em busca de alguém que enfrente três problemas-chave: aumento da insegurança, reativação da economia e resolução de conflitos sociais vinculados à mineração e ao meio ambiente, em uma campanha com falta de propostas e repleta de ofensas.

Em um país sem reeleição imediata e com maioria católica, a Igreja também intervém no debate, com bispos que criticam candidatos a favor da união civil gay e do aborto, como Mendoza.

Duas mulheres

As recentes estimativas mostram uma tendência ascendente para Mendoza, uma congressista dissidente do governista Partido Nacionalista e psicóloga de 35 anos, que capitalizou o descontentamento com a classe política tradicional.

Em menos de quatro meses, boa parte da massa eleitoral migrou de um candidato a outro e hoje apoia a mais jovem das aspirantes em um país onde o voto é obrigatório.

Já Keiko Fujimori, de 40 anos, deve sua popularidade a um eleitorado cativo herdado de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, que cumpre pena por corrupção e crimes contra a humanidade, um governo (1990-2000) do qual era tenta se descolar para obter maior apoio apesar de ter sido sua primeira-dama.

Kucynski, de 77 anos, ex-ministro e homem de negócios, percorreu o Peru para aglutinar preferências com relativo sucesso, mas encontra resistência entre aqueles que vêm nele um representante dos interesses empresariais.

Renúncias e expulsões

Entre renúncias e expulsões, dos 19 candidatos que iniciaram a disputa, em janeiro, restam apenas dez, entre eles um ex-governador regional que está na prisão à espera de um julgamento por corrupção.

Partidos políticos fracos impulsionam os eleitores peruanos a procurar um 'outsider' que os represente. Mas estes tiveram que se adaptar às consequências de uma lei aprovada aos trancos e barrancos pelo Congresso e que sanciona com a expulsão os candidatos que entregam doações, inclusive no dia da eleição.

Tampouco limita as renúncias daqueles que deixam a disputa por medo de perder a inscrição de seu partido junto às autoridades eleitorais se obtiverem menos de 5% dos votos. Entre os que se retiraram está o governista Partido Nacionalista, que deixa o poder com baixíssima popularidade.

Na atual corrida foi expulso César Acuña, empresário que doou dinheiro durante uma atividade de apostolado. Também ficou de fora Julio Guzmán, que em fevereiro era segundo nas pesquisas, por descumprir normas administrativas nas primárias do seu partido.

Keiko Fujimori também foi investigada, mas se saiu bem porque, apesar de estar presente em uma atividade de campanha em que houve entrega de dinheiro, ela não o fez diretamente. A decisão desatou críticas contra o Júri Nacional de Eleições (JNE) pela falta de critérios claros para aplicar a norma.

Até o próprio secretário-geral da OEA, Luis Almagro, advertiu para o risco de eleições "semi-democráticas" por culpa desta lei. O JNE e os organismos eleitorais esclareceram que não têm mais remédio que aplicar a lei, culpando o Congresso pelas "perversões" que gerou.

Em 10 de abril, os peruanos também elegerão os 130 parlamentares que integram o Congresso unicameral.

AFP