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Moradores de Antananarivo em 2 de outubro de 2017 em frente a uma farmácia, preocupados com uma epidemia de peste

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Os primeiros moradores chegaram antes do amanhecer, quando as farmácias ainda não tinham aberto, com a esperança de conseguir uma máscara ou antibióticos contra a peste.

A doença voltou à capital malgaxe, Antananarivo, onde deixou seis mortos e provocou pânico entre a população.

Como muitos, Johannes Herinjatovo, de 50 anos, se levantou cedo para fazer fila em frente às farmácias. Mas foi em vão.

"Já fui a seis estabelecimentos esta manhã, e em todos me disseram que as máscaras tinham acabado", conta ao sair de uma das farmácias.

Sua esposa, Miora Herinjatovo, de 55 anos, teve mais sorte: encontrou uma máscara em um hospital.

Na falta de máscara, Johannes se conformou com alguns comprimidos de um antibiótico usado para combater infecções pulmonares. O Ministério da Saúde desaconselha seu uso contra a peste, mas ele não se importa, e pretende tomá-lo se passar mal ou apresentar febre.

"Temos medo", justifica Johannes. "Todas estas mortes mostram que a situação é grave".

- Avalanche -

O balanço anunciado no sábado pelo primeiro-ministro, Olivier Mahafaly Solonandrasana, causou pânico. Desde o final de agosto morreram 24 pacientes devido à peste.

Se for detectada a tempo, a peste bubônica pode ser curada com antibióticos. Mas sua variante pulmonar, transmitida através da tosse, pode ser fatal em menos de 72 horas.

A capital malgaxe está acostumada com a peste, que é transmitida através das pulgas que parasitam ratos.

Este ano é mais preocupante que outros, porque a peste chegou mais cedo e "afeta as grandes zonas urbanas, ao contrário das epidemias anteriores", segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para tentar combatê-la, o governo anunciou medidas inéditas, como a proibição, até nova ordem, de todas as reuniões públicas na capital.

Os habitantes de Antananarivo reagiram recorrendo aos únicos meios a sua disposição: as máscaras e os antibióticos, mesmo sem confiar muito em sua eficácia.

"Fazemos o que consideramos útil para nos proteger", reconhece Rondro Razafindrainy, de 37 anos, diante de uma farmácia. "A peste pulmonar é transmitida por via aérea, li na internet", "por isso acredito que se necessita uma máscara", acrescenta.

- Ratos -

Com a preocupação generalizada, o preço das máscaras disparou, tendo dobrado em algumas horas, passando de 300 para 600 ariarys (10 a 20 centavos de euro).

As autoridades locais tentam tranquilizar a população.

Em vez do uso da máscara, o médico Manitra Rakotoarivony, do Ministério da Saúde, aconselha não falar na frente de outras pessoas e ir ao hospital mais próximo assim que aparecerem os primeiros sintomas.

As autoridades também multiplicaram as armadilhas para ratos nas ruas e as pulverizações com inseticidas.

Além disso, "concentramos nossos esforços em combater o Facebook, porque circula muita desinformação nas redes sociais e cria pânico", acrescenta o médico Manitra Rakotoarivony. "Podemos tratar a peste, temos os meios".

As mensagens por rádio e as ligações telefônicas gratuitas de informação não parecem ter tranquilizado a população.

Casado e pai de quatro filhos, Henri Rakotoarilalaninaivo sofreu o pânico na própria pele. Teve que se despir, tomar banho, jantar e dormir sozinho para evitar qualquer risco de contágio. Foram ordens de sua mulher, que é médica.

"Aceito fazer isso pelo bem da minha família", declara, "mas tenho a sensação de estar sendo punido".

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AFP