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O novo ministro dos Esportes, Leonardo Picciani, durante entrevista à AFP, em Brasília, no dia 18 de 2016

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Faltando menos de três meses para os Jogos Olímpicos do Rio e o Brasil, com um governo interino após o polêmico afastamento da presidente Dilma Rousseff, tem no Ministério dos Esportes seu terceiro ocupante este ano: Leonardo Picciani.

Michel Temer assumiu o poder quando os preparativos para os Jogos já estavam na reta final, com a maioria das instalações praticamente prontas e apenas algumas preocupações em matéria de transporte.

E se tudo está quase pronto, quem leva o crédito pela organização do evento? Dilma ou Temer?

"Será um legado primeiramente do povo brasileiro, do país", respondeu Picciani em entrevista à AFP em seu gabinete em Brasília.

"Claro que os que participaram da organização deste processo devem ser reconhecidos pelo papel que tiveram. O presidente Temer terá um papel crucial, que é o fim do trabalho", acrescentou o jovem ministro de 36 anos.

Temer permanecerá no poder de forma interina por até seis meses, a duração máxima do julgamento contra Dilma Rousseff, que classifica o processo como um "golpe", e terminará o mandato se a agora presidente afastada for finalmente destituída pelo Senado.

AFP: Chegar ao cargo a menos de três meses dos Jogos Olímpicos e em meio a um furacão político, isso afeta de algum modo os Jogos?

Picciani: Estou convencido de que não, o Brasil mostrou a solidez de suas instituições e, mesmo que esteja atravessando esta turbulência, conseguiu cumprir com seus compromissos para a realização dos Jogos. A palavra-chave dita pelo presidente Temer ao assumir o poder foi "confiança", e não temos uma oportunidade melhor para retomar credibilidade no país.

AFP: E Temer já falou com o COI...

Picciani: Foi uma conversa absolutamente positiva. O presidente (Thomas) Bach felicitou o presidente Temer por destacar a importância dos Jogos Olímpicos em seu primeiro discurso à nação e recebeu do novo governo brasileiro as garantias de que cumprirá com os compromissos assumidos.

AFP: Diz que Temer terá um papel crucial na etapa final dos Jogos. Isso inclui a abertura, estará presente?

Picciani: Não decidiu, não deu uma orientação a respeito. Mas certamente no momento apropriado, se manifestará. Acredito que sim.

AFP: A menos de três meses, o que falta?

Picciani: É a fase dos ajustes finais, as obras estão todas concluídas ou em fase de conclusão. A obra que atrasou um pouco foi o velódromo e mesmo fora do cronograma não preocupa, está 86% finalizado. Está praticamente tudo pronto. Falta ajustar, se preparar e cumprir.

AFP: O metrô será aberto apenas quatro dias antes dos Jogos. Não preocupa?

Picciani: O governo do estado, gestor da obra, nos garantiu que o metrô estará concluído e apto para cumprir sua função. Temos confiança.

AFP: Há denúncias de que algumas obras realizadas no Rio no âmbito dos Jogos estariam envolvidas no caso de corrupção na Petrobras. Estão revisando contratos?

Picciani: Se existirem problemas, as investigações vão detectá-los. Temos a obrigação de quem assume uma pasta de fazer um diagnóstico da situação real do ministério, dos contratos em execução, da situação orçamentária e vou fazer isso porque é uma obrigação. Quero, como marca da minha gestão, possibilitar um aumento dos mecanismos de controle interno e fiscalização porque isso permitirá não apenas resguardar a coisa pública, mas o dinheiro para o esporte, que é pouco e insuficiente.

AFP: Integra o gabinete mesmo tendo votado, como deputado, contra o impeachment, que Dilma Rousseff diz ser um golpe. Então você é um golpista?

Picciani: Não sou e não acredito que houve golpe, são duas coisas diferentes (...). Minha visão sobre o processo era contra o procedimento e votei de acordo com minha consciência. O impeachment é um processo de impedimento, não se trata de uma eleição indireta, não se estava votando por Dilma ou Temer, votou-se sobre seu impedimento.

AFP: Mas foi injusto?

Picciani: A decisão da maioria superou isso, manifestei minha posição e fui derrotado (...) E o resultado me levou a uma profunda reflexão.

AFP: E agora é ministro. Era a pasta que queria?

Picciani: Não planejava ser ministro, mas fui honrado com o convite do presidente.

AFP: O Brasil assumiu o compromisso de ficar entre os 10 primeiros do quadro de medalhas. Esta meta é realista?

Picciani: Acredito que sim, primeiro como torcedor, temos confiança nos atletas (...). Espero que tenhamos êxito naquelas modalidades que já temos medalhas, como vôlei, futebol, natação, judô, atletismo, mas também sei que teremos surpresas.

AFP: Mas no futebol falta o ouro. Depois do 7 a 1, pódio no Rio?

Picciani: Vamos tentar, torceremos intensamente pela seleção olímpica.

AFP