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Policiais britânicos próximos ao Parlamento, em Londres, em 27 de abril de 2017

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A polícia britânica afirmou nesta sexta-feira que havia desmantelado uma célula terrorista ativa, no dia seguinte de duas operações policiais e da detenção de um homem armado com vários facas perto do Parlamento.

Pouco mais de um mês depois do atentado que deixou cinco mortos e dezenas de feridos perto do edifício, símbolo da democracia britânica, as detenções são "quase diárias", explicou nesta sexta-feira Neil Basu, o coordenador nacional de antiterrorismo em entrevista coletiva.

Na véspera, em um um dia classificado de "extraordinário" por Basu, houve duas operações distintas.`

À noite, uma "operação antiterrorista" no nordeste de Londres e em Kent (sudeste da Inglaterra) resultou na detenção de quatro pessoas. Uma jovem na faixa dos 20 anos, que estava entre os alvos da operação, levou um tiro dos agentes e foi hospitalizada, sob vigilância policial.

Durante a noite houve outras duas detenções vinculadas com as anteriores.

Neil Basu informou que o domicílio do nordeste de Londres estava sendo vigilada "no contexto de uma investigação das unidades antiterroristas". Ao ser perguntado sobre se a operação permitiu desbaratar um atentado, ele respondeu que "sim".

Todos os detidos são suspeitos de praticar atividades terroristas. No domicílio, foram detidos uma adolescente de 16 anos, duas mulheres de 20 e 28 anos e dois homens de 20 e 28 anos. Em Kent uma mulher de 43 anos foi presa.

Segundo o vizinho entrevistado pela agência Press Association, a família que vivia na casa é de origem somali.

'Neutralizar as ameaças'

À tarde, a polícia deteve um homem de 27 anos, vigiado pelas unidades antiterroristas, com várias facas perto do Parlamento de Westminster. Ele foi detido por "suspeitas de posse de armas" e "suspeitas de preparativo e execução de um ato de terrorismo".

"Tudo aconteceu em segundos", declarou Niklas Halle'n, um fotógrafo da AFP presente no momento dos fatos. O detido "parecia bastante tranquilo" e não disse nenhuma palavra, acrescentou.

Nascido no exterior, o suspeito tem nacionalidade britânica e cresceu no bairro de Tottenham, no norte de Londres, segundo vários veículos de comunicação.

"Estão sendo feitos duas revistas no marco desta investigação", informou Basu.

"Em ambos os casos, acho que neutralizamos as ameaças que representavam", celebrou o responsável de antiterrorismo.

"São as comunidades que acabarão com o terrorismo e dependemos de sua vigilância", acrescentou, pedindo à população que sinalize qualquer comportamento suspeito.

Segundo a imprensa britânica, a polícia está há semanas vigiando o indivíduo detido perto do Parlamento, depois de seus familiares informarem sobre sua radicalização.

As operações de quinta-feira aconteceram pouco mais de um mês depois que um homem matou cinco pessoas perto das Cortes britânicas em Londres.

Em 22 de março, um indivíduo jogou seu veículo contra os pedestres na ponte de Westminster, que atravessa o rio Tamisa em frente ao Big Ben, antes de apunhalar fatalmente um policial em frente ao Parlamento.

Seu autor, Khalid Masood, um cidadão britânico convertido ao islã, foi abatido. Doze pessoas foram detidas depois do ataque, mas foram soltas sem acusações.

O atentado foi reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI), mas a Scotland Yard disse não ter "encontrado provas de uma associação" de Masood com o EI ou com a Al-Qaeda, nem provas de que se radicalizou na prisão.

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