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Forças de segurança dispersam manifestantes, em Caracas, no dia 2 de junho de 2016

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Policiais e militares usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar um protesto de dezenas de pessoas contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a poucas quadras do Palácio de Miraflores, constataram jornalistas da AFP.

"Vai cair, vai cair, este governo vai cair", repetiam alguns manifestantes a quatro quarteirões do Palácio, desafiando centenas de homens da Polícia Nacional e da militarizada Guarda Nacional Civil Bolivariana, que cercavam o protesto por vários setores.

Moradores de bairros próximos bloquearam uma avenida estratégica e ruas vizinhas, virando latas de luxo, e tentavam chegar ao Palácio, mas foram repelidos pelos efetivos de segurança e grupos de simpatizantes do governo, que repetiam o lema: "a rua se respeita".

"Estou protestando porque já estamos cansados de que não se consigam produtos, das filas", disse à AFP Francis Marcano, estudante de 21 anos, com uma pedra na mão.

No meio da tarde, os distúrbios estavam controlados, o tráfego começava a se restabelecer, mas as lojas permaneciam fechados, diante do temor de novos confrontos.

Um grupo de jornalistas do El Universal e de outros quatros veículos locais foram agredidos física e verbalmente, e tiveram o equipamento levado pela polícia e por grupos simpatizantes do governo.

Vários jornalistas afetados foram ao Ministério Público - que tem sede a uma quadra do local dos distúrbios - apresentar a respectiva denúncia.

Atingida pela queda dos preços do petróleo, a Venezuela sofre com uma profunda crise política, institucional, social e econômica, com grave escassez de alimentos e medicamentos, e uma inflação - a mais alta do mundo - de 180,9% em 2015, projetada pelo FMI para 700% em 2016.

Longas filas, vigiadas pela polícia militar, se formam todos os dias nos supermercados para a compra de alimentos subsidiados. Em vários estabelecimentos de Caracas e outras cidades ocorreram saques e protestos nas últimas semanas.

A oposição venezuelana responsabiliza pela crítica situação o governo de Maduro e impulsiona um referendo revogatório do mandato presidencial, enquanto a Organização de Estados Americanos (OEA) defende o diálogo como saída para a crise.

AFP