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Polícia observa manifestantes que protestam contra a morte de Michael Brown em Ferguson, Missouri, em 13 de agosto

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A polícia americana declarou nesta sexta-feira que Michael Brown, o adolescente negro que foi morto por um policial aparentemente sem reagir, era suspeito de roubo em uma loja de conveniência.

Em uma reviravolta, documentos divulgados pela polícia de Ferguson ligaram o estudante de 18 anos ao roubo de uma caixa de charutos pouco antes de sua morte, em plena luz do dia em uma área residencial.

A polícia também divulgou fotos de câmeras de vigilância que mostravam um homem negro alto e musculoso - vestido com uma camiseta e uma bermuda cáqui, como as utilizadas por Brown - empurrando um funcionário da loja.

O chefe da polícia de Ferguson, Thomas Jackson, identificou o policial que atirou em Brown como Darren Wilson, que trabalha há seis anos na corporação e que não tem registros disciplinares.

Segundo Jackson, Wilson estava atendendo a uma chamada por roubo.

A divulgação dessas informações é feita um dia após soldados do estado de Missouri terem assumido o controle da segurança em Ferguson, substituindo a polícia local, que usou bombas de gás lacrimogêneo e agiu com violência contra manifestantes que protestavam pela morte do jovem.

As declarações de Jackson provocaram imediatamente novos protestos em Ferguson, onde a população é majoritariamente afro-americana, enquanto a polícia local é de maioria branca.

Em um comunicado divulgado à imprensa, o chefe de polícia não chegou a ligar Brown explicitamente ao roubo de uma caixa de charutos em uma loja de conveniência, cerca de 20 minutos antes da morte do adolescente.

No entanto, a conexão foi feita em um relatório de incidente, datado de sábado, que resumia o conteúdo de um vídeo de vigilância gravado por uma loja não identificada que teria sido roubada.

Visto entrando na loja

"O vídeo revela Brown entrando na loja" com outra pessoa, e se envolvendo "em uma aparente briga" com um funcionário, antes de sair com uma caixa de charutos Swisher Sweet, afirma o documento.

"É importante mencionar que este incidente está relacionado a outro incidente (no qual) Brown foi fatalmente ferido envolvendo um policial deste departamento", acrescentou o relatório.

Moradores locais incrédulos suspeitam de uma tentativa por parte da polícia de Ferguson de modificar a narrativa, enquanto o FBI e o Departamento Federal de Justiça realizam uma investigação sobre o caso.

"Acho que eles estão acobertando um monte de coisas", disse uma mulher, entrevistada pela CNN, que não quis se identificar.

"Eles estão acobertando este policial... Por que isso não foi dito no início?", questionou.

Testemunhas e a polícia deram versões diferentes de como o tiro fatal foi disparado.

Na última semana, os protestos se converteram em confrontos com a polícia, que utilizou uniformes de combate, se armou com fuzis, disparou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha e mobilizou veículos blindados.

A reação foi criticada como muito dura e desproporcionalmente militarizada por vários políticos - de defensores de direitos civis ao senador republicano Rand Paul, chegando ao presidente Barack Obama.

O governador do estado do Missouri, Jay Nixon, reagiu na quinta-feira afastando a polícia do condado de St. Louis, envolvida em episódios de violência nas manifestações, e convocando a Polícia Rodoviária Estadual, submetida ao governo estadual.

Mostrar presença

O chefe da Polícia Rodoviária Estadual, capitão Ron Johnson, de origem afro-americana, foi escolhido para restaurar a ordem. Ele agiu imediatamente, indo para Ferguson sem equipamentos de proteção e conversando cara a cara com os manifestantes.

"Cresci aqui, e esta é a minha comunidade e a minha casa. Significa muito para mim romper este ciclo de violência e recuperar a confiança", disse Johnson.

Nixon, no entanto, não cedeu na principal reivindicação dos manifestantes. O controle da investigação sobre o tiro disparado pela polícia contra Brown permanecerá nas mãos das forças do condado de St. Louis.

AFP