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Polícia impede marcha de médicos e enfermeiras até presidência da Venezuela

Trabalhadoras da saúde protestam por escassez de medicamentos e más condições dos hospitales em Caracas, em 16 de agosto de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 16. agosto 2018 - 21:05
(AFP)

A polícia venezuelana impediu nesta quinta-feira (16) uma marcha de cerca de 400 enfermeiras e médicos - em greve há um mês e meio - rumo ao palácio presidencial de Miraflores para exigir melhorias salariais e insumos hospitalares.

Os trabalhadores públicos partiram do hospital de pediatria J. M. de los Ríos, no centro de Caracas, mas apenas puderam caminhar cerca 50 metros pois vários cordões policiais bloquearam a passagem.

"Não temos (dinheiro) para comprar carne, frango nem ovos. Presidente, (Nicolás Maduro), não vamos cansar, fazemos milagres porque não temos insumos", disse à AFP a enfermeira Mónica Aranguren.

Aranguren denunciou que "a mortalidade infantil e neonatal" aumentou "pela desnutrição e porque quando chegam aos hospitais não temos como atendê-los".

A escassez de insumos e material cirúrgico nos hospitais ultrapassa 90%, segundo a Federação Médica, enquanto que a de medicamentos está por volta de 85% e é quase total em fármacos para doenças crônicas como câncer e HIV.

A Venezuela atravessa uma profunda crise econômica, com uma inflação projetada em 1.000.000% para 2018 pelo FMI, e escassez de alimentos e medicamentos.

Maduro assegura que as sanções financeiras dos Estados Unidos dificultaram a importação de medicamentos.

Após duas horas, um funcionário da vice-presidência, Miguel Carvallo, chegou ao local para receber um documento dos manifestantes.

"Senhor presidente, convidamos o senhor a viver um mês com o salário que ganhamos!", gritaram os trabalhadores.

Uma mulher, que pediu anonimato, ia na frente da marcha com seus pequeno filho com câncer em uma cadeira de rodas, denunciando que não consegue os medicamentos que ele precisa.

"Protestar é nosso direito!", gritava uma enfermeira enquanto chorava por não poder atravessar o cerco.

Com escudos antimotins e escopetas de bombas de gás lacrimogêneo, os policiais ouviam impávidos os gritos dos manifestantes, que se retiraram após conversar com Carvallo, mas prometeram continuar protestando.

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