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Centeno participa de entrevista coletiva em Bruxelas após ser eleito

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Os ministros das Finanças dos 19 países do euro elegeram nesta segunda-feira (4) o português Mário Centeno como presidente do Eurogrupo, instituição que deverá guiá-los durante a reforma da zona do euro.

"É uma honra ser o próximo presidente do Eurogrupo", disse o ministro português em coletiva de imprensa, após superar seus pares - a letã Dana Reizniece-Ozola, o eslovaco Peter Kazimir e o luxemburguês Pierre Gramegna.

Centeno assumirá em 13 de janeiro de 2018 um mandato de dois anos e meio à frente do bloco da moeda única europeia, cujo objetivo principal é coordenar as políticas econômicas nacionais em uma zona do euro que, nos próximos anos, aspira uma integração maior.

Em um tuíte de comemoração, o vice-presidente europeu do Euro, Valdis Dombrovskis, destacou que o português tem "muito trabalho pela frente", como o aprofundamento da União Econômica e Monetária e a conclusão bem sucedida do programa de resgate para a Grécia.

- Duas rodadas -

Centeno, ministro independente dentro do governo socialista liderado por António Costa em Lisboa, substituirá Dijsselbloem, que deixou de ser ministro holandês após o fracasso de seu partido trabalhista nas eleições legislativas de março, o que lhe impediu de seguir à frente do grupo.

Esse é um dos cargos mais disputados da UE, ao lado dos presidentes da Eurocâmara, Antonio Tajani, da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e do Conselho Europeu, Donald Tusk - todos conservadores -, e da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini (social-democrata).

Apesar de o português ser considerado centrista e até liberal nos círculos econômicos, foram justamente a afiliação socialista do Executivo português e a ausência de candidato do Partido Popular Europeu (PPE, direita) as principais bases para sua eleição.

Na primeira votação, Centeno ficou em primeiro lugar, mas sem a maioria necessária de dez votos. Após a saída da letã e do eslovaco, foi realizada uma segunda rodada de votações contra o liberal Gramegna.

Além da maioria de social-democratas, Centeno tinha também o apoio da Grécia de Alexis Tsipras (esquerda radical), para quem sua candidatura traz "esperança", além da "afinidade ibérica" do ministro espanhol Luis de Guindos (conservador), que concorreu contra Dijsselbloem em 2015 sem sucesso.

E as três principais da zona do euro, França, Alemanha e Itália, também respaldaram Centeno, após seus líderes chegarem a um acordo na semana passada, durante uma cúpula com países africanos em Abidjan, segundo o entorno do ministro francês de Finanças, Bruno Le Maire.

- 'História de sucesso' -

Centeno "é um bom economista, é uma pessoa que conhece bem a problemática da zona do euro, achamos que pode ter um papel importante em todas as reformas que temos que realizar nos próximos meses", disse De Guindos na chegada à reunião.

Sua eleição representa um sucesso para Portugal, um dos países europeus mais afetados pela crise da dívida, chegando a receber um empréstimo de 78 bilhões de euros da UE e do Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2011.

"Hoje, Portugal é uma história de sucesso para a zona do euro, e Mário é grande parte disso", garantiu, em coletiva de imprensa, Klaus Regling, diretor-geral do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE).

Os ministros, reunidos com todos seus equivalentes da UE, exceto o britânico, devem tratar, agora, do futuro do euro, com temas que polêmicos, como capacidade orçamentária da zona do euro, ou simplificação da legislação tributária europeia.

Neste sentido, Centeno se comprometeu na quinta-feira a "contribuir para a formação de consensos necessários para completar a União Econômica e Monetária".

Jeroen Dijsselbloem vai comandar ainda os debates de 15 de dezembro, em uma cúpula de mandatários na UE.

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AFP