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Ministro alemão da Fazenda, Wolfgang Schäuble (D) conversa com Jens Weidmann, presidente do Banco Federal alemão na reunião semestral do FMI em Washington

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Estados Unidos e outras grandes potências econômicas do G20 apararam suas divergências sobre o comércio mundial na reunião do bloco realizada nesta sexta-feira, em Washington, na qual concordaram sobre os riscos representados pelo protecionismo.

A mensagem de conciliação foi divulgada pelo ministro alemão da Fazenda, Wolfgang Schäuble, cujo país preside este ano o G20; que agrupa as grandes economias avançadas e emergentes e cujos ministros da Fazenda deliberaram à margem da Assembleia Semestral do FMI.

"O protecionismo seria nefasto para a economia mundial e as economias implicadas. Houve um amplo consenso" sobre essa questão, disse durante uma coletiva de imprensa o ministro alemão.

"Há um acordo amplo em torno da ideia de que o livre comércio é melhor para a economia mundial e para o interesse de cada país".

"Devemos afrontar isso, do contrário veremos mais protecionismo", disse, acrescentando que a visão geral no G20 sobre o tema é que "se torna necessário fazer mais".

O governador do Banco Central de China, Zhou Xiaochuan, emitiu um comunicado convocando a "resistir ao protecionismo" e a acelerar "a liberalização do comércio mundial".

O diagnóstico do G20 contrasta com a agenda econômica do governo de Donald Trump, que ameaça erguer barreiras comerciais contra alguns de seus parceiros e critica duramente o livre comércio, embora pareça ter suavizado um pouco sua posição nas últimas semanas.

O secretário americano do Tesouro, Steven Mnuchin, disse estar disposto "a lutar vigorosamente contra as más práticas comerciais" e defendeu a ampliação dos intercâmbios comerciais.

Mnuchin preferiu chamar a atenção para os "desequilíbrios no seio da economia mundial" e citou, especialmente, os que "acumulam elevados excedentes" comerciais, mas sem falar diretamente de China e Alemanha.

A reunião desta sexta-feira apresentou um tom mais conciliador em relação ao encontro de março do G20 em Baden-Baden, quando os Estados Unidos conseguiram que o grupo omitisse sua tradicional condenação ao protecionismo econômico no comunicado final.

Segundo o ministro francês das Finanças, Michel Sapin, os Estados Unidos se destacam especialmente pela "ausência de posição" sobre os temas cruciais da economia mundial.

"A posição americana, que era o tema central da última reunião do G20, já não é mais o tema. Estamos resignados a não saber e seguimos em frente", disse Sapin em entrevista à AFP.

"De certa maneira é tranquilizador. Isto significa que a administração americana pode ter posições que não sejam a aplicação de caricaturas".

- Crescimento "inclusivo" -

Além da preocupação com as tendências protecionistas, as 20 principais economias intensificaram os apelos por um crescimento mundial mais inclusivo, no momento em que há uma perspectiva otimista de avanço global da economia, de 3,5%.

Segundo Schäuble, os ministros do grupo concordaram em estimular um crescimento "mais inclusivo" como forma de prevenir a generalização do protecionismo.

O presidente do Banco Central alemão, Jens Weidmann, disse que o G20 estava concentrado no crescimento inclusivo porque "a desigualdade crescente prejudica o crescimento potencial" e gera "crescente desencanto".

"O que tiramos desta reunião é que muitos concordam sobre o efeito negativo de elevar as barreiras comerciais", revelou Jens Weidmann.

Segundo o ministro brasileiro da Fazenda, Henrique Meirelles, atender à "percepção de injustiça" na economia mundial é "crucial para somar apoio político para avançar na integração e na produtividade globais".

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