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Premiê descarta formar governo de unidade nacional de emergência no Iraque

Iraquianos xiitas levantam suas armas em 25 de junho de 2014, na cidade de Najaf afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 25. junho 2014 - 15:03
(AFP)

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, descartou nesta quarta-feira a formação de um governo de unidade nacional de emergência para lutar contra os insurgentes sunitas, que anunciaram uma aliança com a Al-Qaeda em uma cidade na fronteira com a Síria.

Com a aliança, os jihadistas do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL) tomam o controle da passagem fronteiriça de Bukamal, no lado sírio do posto de Al-Qaim, no Iraque, que já controlam.

Enquanto isso, em Bagdá, o primeiro-ministro Nuri al-Maliki descartou a formação de um governo de unidade nacional de emergência, apesar das pressões nesse sentido de seus aliados ocidentais, principalmente dos Estados Unidos.

Depois de líderes de tribos sunitas terem exigido a formação de um governo sem levar em conta os resultados das legislativas de 30 de abril, Maliki considerou que isso seria "um golpe de Estado contra a Constituição e o processo político".

O premiê denunciou "uma tentativa daqueles que são contra a Constituição de eliminar o jovem processo democrático".

As grandes divergências que existiam no país, mesmo antes da ofensiva jihadista, impediram que o partido de Maliki, que venceu as eleições de abril, formasse um governo.

"Como todos sabem, é um momento crítico para o Iraque e o principal desafio é a formação de um governo", havia afirmado o secretário americano de Estado, John Kerry, na terça-feira.

Washington prometeu enviar 300 conselheiros militares ao Iraque, e 40 deles já começaram a trabalhar na terça-feira. No entanto, o governo americano se distanciou da postura do xiita Maliki, já que considera que a exclusão das outras correntes religiosas do governo causou o conflito.

Em Bruxelas, os 28 países membros da Otan se reuniram para discutir a situação no Iraque, entre outros assuntos, e as capitais ocidentais não escondem sua preocupação com o avanço dos jihadistas.

John Kerry, que chegou a Bruxelas na noite de terça-feira após uma visita ao Iraque, anunciou que viajará na quinta à Arábia Saudita para discutir a crise iraquiana com o rei Abdullah.

Aliança EIIL-Al-Qaeda

Em terra, a facção síria da Al-Qaeda, a Frente Al-Nosra, "aliou-se ao EIIL durante a madrugada desta quarta-feira" e, com isso, o grupo agora controla os dois lados da fronteira, indicou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Um jihadista do EIIL confirmou a informação no Twitter e publicou uma foto do líder da Frente Al-Nosra ao lado do chefe do EIIL.

Com essa aliança entre os dois antigos rivais, o EIIL avança em sua ambição de criar um Estado islâmico na porosa fronteira entre os dois países, um em guerra há três anos e o outro mergulhado no caos há algumas semanas.

De acordo com o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, "essa aliança vai gerar tensões com os outros grupos rebeldes", que não concordam com os excessos do EIIL, conhecidos por sua extrema violência. Nesta semana, divulgaram na internet fotos que mostravam dezenas de cadáveres que, segundo o grupo, são de soldados iraquianos.

Nesta quarta-feira, foram registrados novos ataques no norte do Iraque, especificamente contra dois templos xiitas que foram bombardeados na cidade de Sharijan, ao norte de Mossul, cidade que está nas mãos dos insurgentes. Mas não houve vítimas.

Além disso, um atentado suicida e um bombardeio deixaram pelo menos 17 mortos e 23 feridos em Mahmudiya, 30 km ao sul de Bagdá, de acordo com autoridades locais.

Mais ao norte, cinco pessoas foram mortas e 20 ficaram feridas em um ataque com carro-bomba em Kirkuk, cidade tomada pelas forças curdas, indicaram fontes médicas e da segurança.

Os insurgentes controlam Mossul, segunda maior cidade do Iraque, grande parte da província onde fica localizada, além de Nínive (norte), Tikrit e zonas das províncias de Saladino (norte), Diyala (leste), Kirkuk (norte) e Al-Anbar (oeste), na fronteira com a Síria, onde têm quatro cidades em seu poder.

Esta ofensiva já deixou quase 1.100 mortos, milhares de deslocados e ameaça mergulhar o país no caos.

ONU lança apelo

Diante deste cenário, a ONU revisou para cima seu pedido de fundos para ajuda humanitária ao Iraque em 2014, que passou de 103 milhões para mais de 312 milhões de dólares.

A organização indicou que esse pedido de recursos para o Iraque é "um dos que menos receberam adesões, com somente 6% das somas globais recebidas até agora".

Além disso, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) advertiu que o Iraque enfrenta "graves problemas de segurança alimentar", devido à recente escalada do conflito.

Em um comunicado divulgado em Roma, a agência especializada das Nações Unidas indica que, desde janeiro, "mais de um milhão de pessoas abandonaram suas casas e fazendas" no país, o que coloca em perigo a temporada de colheita de trigo e cevada.

"No total, dois milhões de iraquianos estão agora deslocados dentro do país, incluindo pessoas afetadas pelos conflitos da Síria e pelos acontecimentos anteriores no Iraque", calcula a entidade.

Antes da crise, as previsões eram favoráveis para o trigo e a cevada, entretanto, considera-se que a insegurança civil existente e os problemas de acesso envolvidos, além da escassez de mão de obra e os problemas no transporte e na comercialização, "terão um impacto importante na produção e no fornecimento em nível nacional", esclareceu a FAO.

A FAO pede 12,7 milhões de dólares de ajuda emergencial às famílias de agricultores, sobretudo para a produção agrícola e pecuária, e para mitigar os danos às fontes de alimentos, renda e empregos.

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