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O premier do Iraque, Nuri al-Maliki

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O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, reafirmou nesta sexta-feira sua intenção de se candidatar a um terceiro mandato no Iraque, apesar das críticas internas e internacionais para que ceda seu posto a um governo de unidade neste país à beira do caos.

"Nunca vou renunciar a minha candidatura para o cargo de primeiro-ministro", anunciou em um comunicado Al-Maliki, vencedor das eleições legislativas de abril.

O premiê tem sido alvo de fortes críticas por sua política que marginaliza as minorias do país.

O descontentamento com o primeiro-ministro, no poder desde 2006, acentuou-se depois da ofensiva dos jihadistas sunitas do Estado Islâmico (EI), que controlam partes do norte e do oeste do país, onde anunciaram a criação de um califado nos territórios sob seu poder na vizinha Síria.

"Retirar-se do campo de batalha diante de organizações terroristas hostis ao Islã e à Humanidade significaria uma falta de responsabilidade legal, nacional e moral", justificou Al-Maliki, garantindo que continuará lutando "até a derrota final dos inimigos do Iraque e de seu povo".

Nesta sexta, o líder xiita mais importante do país, o aiatolá Ali al-Sistani, criticou a incapacidade das autoridades iraquianas de superar suas divisões. Seu porta-voz, Ahmed al-Safi, ressaltou a importância de "um amplo consenso nacional" para formar um novo governo, em mensagem apresentada durante a tradicional oração de sexta-feira em Kerbala.

Depois do fracasso desta semana, o Parlamento vai tentar novamente na próxima terça designar o presidente da Câmara e o presidente da República. Este último será o encarregado de nomear um primeiro-ministro, que pode ser outro membro da coalizão xiita de Al-Maliki.

A determinação de Al-Maliki em continuar no poder pode adiar, porém, a formação de um governo de consenso.

Em Bagdá, o enviado das Nações Unidas, Nickolai Mladenov, pediu a formação de um governo de unidade urgentemente para evitar que o país afunde "em um caos similar ao da Síria".

O apelo do presidente da região autônoma do Curdistão, Massud Barzani, para a organização de um referendo de autodeterminação mostra as divisões persistentes no país. A reivindicação do presidente curdo foi mal recebida, principalmente pelos Estados Unidos, que destacaram "a importância de formar um novo governo no Iraque que reúna todas as comunidades".

Enquanto isso, um novo atentado suicida contra um posto do Exército e de voluntários em Samarra, ao norte de Bagdá, deixou 15 mortos. As forças iraquianas registram avanços apenas em Tikrit (norte).

Nessa cidade, 46 enfermeiras indianas presas no meio do fogo cruzado há semanas foram libertadas, um dia depois da libertação de 32 caminhoneiros turcos sequestrados pelos jihadistas do EI. Dezenas de estrangeiros ainda são mantidos reféns.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, general Martin Dempsey, destacou na quinta-feira que o Exército precisa de ajuda para retomar o terreno conquistado pelos jihadistas. Ele destacou, porém, que suas declarações não permitem prever um compromisso americano.

AFP