Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

O primeiro-ministro sueco, Stefan Löfven, no dia 25 de março de 2017

(afp_tickers)

O primeiro-ministro sueco, Stefan Löfven, anunciou nesta quinta-feira (27) a saída do governo de seus ministros do Interior e da Infraestrutura, em meio a um escândalo de vazamento de dados sensíveis de um órgão público.

Segundo a imprensa local, o ministro do Interior, Anders Ygeman, não informou o governo a tempo sobre a existência do vazamento.

Ygeman entregou o cargo, declarou Löfven em entrevista coletiva, acrescentando que a ministra de Infraestruturas, Anna Johansson, encarregada da Agência Pública de Transportes, epicentro do escândalo, também será substituída.

Já o ministro da Defesa, Peter Hultqvist, permanece no cargo, apesar de também estar na mira da oposição de centro e de direita. Na quarta-feira (26), a oposição lançou uma moção de censura contra esses três ministros.

Após o anúncio do premiê, a oposição não informou oficialmente se ainda planeja levar adiante o procedimento para que o Riskdag - o Parlamento sueco - vote a destituição do ministro da Defesa.

Ao contrário do que muitos comentaristas esperavam, Löfven não anunciou a antecipação das eleições legislativas, confirmando sua intenção de permanecer no cargo até o fim de seu mandato (2014-2018).

"Não tenho a intenção de arrastar a Suécia para uma crise política", advertiu.

"Avaliei várias alternativas e escolhi a melhor para o país", que "enfrenta desafios extraordinários", acrescentou, citando as tensões de segurança na região báltica, o Brexit e as reformas sociais e econômicas iniciadas por seu governo.

Revelado pela imprensa há poucas semanas, o escândalo foi provocado pela decisão da Agência Pública de Transportes de confiar o registro de motoristas à multinacional IBM.

Para realizar esse serviço, a companhia recorreu a outras empresas, contratadas na República Tcheca e na Romênia, dando-lhes acesso a informações sensíveis, ou sigilosas, enquanto seus técnicos não receberam qualquer autorização especial.

Diante dos protestos da oposição de centro e de direita, o primeiro-ministro decidiu agir.

Sobre o ministro da Defesa, "já não há confiança. O primeiro-ministro não assume suas responsabilidade e, por isso, vamos pedir que preste contas ao Parlamento", justificou a líder do grupo parlamentar democrata-cristão, Ebba Busch Thor, no Twitter.

Os Democratas da Suécia (extrema direita), terceira força política do país, devem apoiar a moção de censura, que obteria uma maioria dos votos.

Ainda é difícil estabelecer com exatidão a natureza e o volume dos vazamentos em questão.

Segundo a imprensa sueca, os vazamentos podem ter comprometido a identidade de agentes dos serviços de Inteligência e de outras pessoas que atuam usando identidades secretas.

O Exército indicou que, entre os documentos vazados, pode haver informações sobre funcionários, veículos e planos de defesa e emergência, algo que a agência nega.

Também estariam envolvidos documentos sobre portos, pontes, a rede ferroviária e estradas.

A diretora-geral da agência, Maria Ågren, deixou o cargo em fevereiro e foi multada em 70.000 coroas (7.300 euros).

AFP