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Presidente Xi Jinping (centro à dir., de gravata vermelha) canta "My Country", acompanhado da nova chefe do executivo de Hong Kong, Carrie Lam (centro à esq.), em Hong Kong, em 30 de junho de 2017

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O presidente chinês, Xi Jinping, declarou neste sábado (1º) que Hong Kong é, hoje, mais livre do que no passado, advertindo os movimentos pró-democracia, porém, contra os desafios "inadmissíveis" à autoridade de Pequim, 20 anos após a devolução da ex-colônia britânica.

Depois que a nova chefe do governo de Hong Kong, Carrie Lam, prestou juramento, o presidente chinês lançou esse aviso, referindo-se a uma "linha vermelha" que os grupos críticos ao Poder central não devem cruzar.

Do mesmo modo que seus predecessores, Carrie Lam, de 60 anos, foi designada por um comitê eleitoral favorável a Pequim e já foi acusada de ser marionete do governo chinês. Na cidade, é grande a parcela da população que considera que a China deixou de respeitar o princípio de "Um país, dois sistemas" que regeu a retrocessão em 1997.

Durante os três dias da presença de Xi Jinping, essa cidade de cerca de oito milhões de habitantes esteve sob um forte esquema de segurança. A visita terminou neste sábado à tarde (1º).

"Todos os esforços para colocar em risco a soberania nacional, para desafiar a autoridade do governo central e a lei fundamental de Hong Kong, para utilizar Hong Kong para atingir - ou sabotar - a China continental cruzam a linha vermelha e são absolutamente inadmissíveis", declarou Xi Jinping durante um discurso pela manhã por ocasião da posse da nova chefe do executivo da ilha.

- Privilégios

No papel, há 20 anos, a cidade goza de privilégios únicos em comparação com o continente, como a liberdade de expressão, um sistema judiciário independente, ou uma dose de sufrágio universal na eleição de seu órgão legislativo.

Vários incidentes reforçaram, porém, os temores a respeito da atitude da China, especialmente o "desaparecimento" em 2015 de cinco editores conhecidos por publicar obras que não agradaram aos dirigentes chineses. Pouco depois, os cinco reapareceram no continente.

Um movimento radical favorável à autodeterminação, ou até mesmo a independência, surgiu em Hong Kong após o fracasso, em 2014, da chamada "Revolução dos Guarda-Chuvas". Esse movimento a favor da democracia paralisou a cidade durante semanas.

Neste sábado, Xi Jinping garantiu que Hong Kong tem, nos dias atuais, "mais direitos democráticos e liberdades do que em qualquer outro momento de sua história".

Lam prestou juramento sob uma grande bandeira chinesa no centro de convenções, pouco antes de apertar a mão de Xi, que fazia sua primeira visita à cidade desde que assumiu o cargo, em 2013.

Na sexta-feira (30), o Ministério chinês das Relações Exteriores considerou que a declaração sino-britânica de 1984, que estabeleceu os termos da devolução, já não é "pertinente". Esse texto detalha o princípio de "Um país, dois sistemas", o qual garante a Hong Kong, em tese, liberdades desconhecidas no continente até 2047.

- 'Intimidação sem precedentes'

Neste sábado à tarde (horário local), após a marcha de Xi, cerca de 60 mil manifestantes pró-democracia - segundo os organizadores - celebraram sua passeata anual, pedindo ainda a libertação do dissidente chinês e Prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo. Gravemente doente, ele recebeu liberdade condicional, mas continua proibido de deixar o país, de acordo com seu advogado.

"A repressão pelo regime nunca parou e não antevejo seu fim", declarou o jovem deputado Nathan Law, presente no ato apenas um dia depois de ser solto pelas autoridades.

Na quarta-feira (28), ele e o líder estudantil Joshua Wong foram detidos junto com outros 24 ativistas.

Militantes pró-Pequim vaiaram os manifestantes aos gritos de "Viva o Partido Comunista! Isso é terra chinesa!".

Pela manhã, partidários da China confrontaram uma pequena manifestação de militantes que prestava homenagem às vítimas da repressão do movimento de Tiananmen, em 1989. Nessa hora, os convidados chegavam ao centro de convenções.

Quando esses manifestantes se preparavam para levar um falso caixão para perto do centro de convenções, como fazem todos os anos, um homem saiu do meio da multidão e bateu na caixa.

Ativistas com bandeiras pró-China bloquearam a manifestação, e a Polícia interveio para separar ambos os lados. No final, os agentes levaram os manifestantes pró-democracia, e o grupo foi solto depois.

"Nesses últimos dias, nos vimos confrontados com um nível de intimidação e de violência sem precedentes", declarou Avery Ng, da Liga dos Social-Democratas.

O estudante Joshua Wong, um dos rostos mais conhecidos dos protestos de 2014, acusou os "gângsteres pró-chineses" de terem provocado a violência.

AFP