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O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, cumprimenta um homem durante sua visita a um abrigo em Cúcura, no dia 26 de agosto de 2015

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O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, visitou neste sábado Cúcuta, 600 km a nordeste de Bogotá, epicentro da crise fronteiriça com a Venezuela, no meio da tensão bilateral após a expulsão maciça de colombianos pelo governo de Nicolás Maduro.

"Vamos facilitar sua vida e, sobretudo, seu futuro", prometeu o presidente, em declarações aos afetados, ao final da visita que fez à cidade, abalada com o fechamento da fronteira decretado há dez dias pela Venezuela e com a chegada de milhares de colombianos repatriados à força.

Segundo o último balanço oficial, até este sábado, 7.162 colombianos tinham retornado da Venezuela, dos quais 1.097 foram deportados e os demais fugiram com medo de ter o mesmo destino, por ameaças de militares venezuelanos e medo de perder seus pertences.

Santos, que já havia estado na quarta-feira passada em Cúcuta com muitos colombianos expulsos, alguns separados dos filhos ou deportados "com a roupa do corpo", visitou um dos oito albergues montados na região, onde um total de 2.333 pessoas estão alojadas.

"Vocês são colombianos. Sempre serão bem vindos aqui. Esta é a sua pátria", repetia o presidente a todos os afetados que cumprimentava, inclusive Rosa, uma venezuelana casada com um colombiano deportado.

A tensão diplomática entre Bogotá e Caracas começou no dia 19 de agosto, com o fechamento de algumas passagens fronteiriças por Maduro após um ataque de desconhecidos contra militares venezuelanos durante uma operação anti-contrabando no estado de Táchira, o qual Maduro atribuiu a "paramilitares colombianos".

A crise se aprofundou quando, na quinta-feira passada, ambos países receberam denúncias em suas embaixadas sobre violação aos direitos humanos dos afetados.

Maduro, que anunciou na sexta-feira o fechamento de um segundo trecho da fronteira com a Colômbia no estado de Táchira "para limpar o paramilitarismo, a criminalidade, o 'bachaquerismo' (contrabando), os sequestros, o narcotráfico", tinha previsto viajar neste sábado para o Vietnã e a China em busca de apoio financeiro devido aos "momentos difíceis" que seu país atravessa.

Golpe na economia local

Em Cúcuta, cidade de 700 mil habitantes com fortes vínculos econômicos com a Venezuela e estreitos laços com os cidadãos do país vizinho, já se sente o impacto econômico do fechamento da fronteira, especialmente diante da falta de gasolina venezuelana vendida ilegalmente na Colômbia.

Santos iniciou sua visita deste sábado em um posto de gasolina, onde assegurou àqueles que aguardavam em longas filas que "não haverá desabastecimento".

"Ontem as filas eram de sete horas; hoje são de 20 a 30 minutos", disse à AFP Marina Mesa, uma dona de casa, ao comentar a decisão da prefeitura de vender combustível 24 horas por dia.

Segundo o prefeito de Cúcuta, Donamaris Ramírez, o problema é que antes, 90% das pessoas abasteciam em locais de venda informal, mas agora "todo mundo tem que ir ao posto".

"Havia 5.000 pessoas que vendiam galões de 22 litros de gasolina na rua, agora há apenas 28 postos de gasolina", disse à AFP, afirmando que o contrabando ocorre com ajuda da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), da Venezuela.

Para mitigar a situação, Santos anunciou um aumento da cota da gasolina a preço inferior à tarifa nacional fornecida em postos de gasolina de Cúcuta.

A medida de Maduro afeta também as casas de câmbio de Cúcuta, que diminuíram sua atividade, assim como os serviços vinculados ao trânsito de pessoas, como mototáxis e ônibus que prestavam serviço internacional. Também tem sido sentida no comércio de produtos que os venezuelanos iam buscar na Colômbia diante da escassez em seu país.

"O venezuelano vinha porque aqui se consegue de tudo, mas agora não. E como não há passagem [fronteiriça], tampouco há venda de bolívares [moeda venezuelana] para comprar mercadorias na Venezuela para depois revender na Colômbia", disse à AFP Alex Tolosa, taxista em Cúcuta.

Além disso, o governo colombiano anunciou na sexta-feira que desde o fechamento da fronteira estão paradas 35.000 toneladas de carvão, um tipo de carga que é a que mais circula pelas passagens fronteiriças no departamento (estado) do Norte de Santander, fronteiriço com o estado de Táchira.

Acompanhando Santos na visita, o ministro da Fazenda, Maurício Cárdenas, admitiu à AFP que "as perdas são muito grandes" neste sentido.

A crise diplomática será abordada na segunda-feira no conselho permanente da Organização de Estados Americanos (OEA) e, também a pedido da Colômbia, na próxima quinta-feira será tema de uma reunião extraordinária dos chanceleres da União de Nações Sul-americanas (Unasul), em Quito.

Colômbia e Venezuela dividem uma fronteira porosa de 2.219 quilômetros, na qual os dois países denunciam a presença de grupos ilegais que lucram com o contrabando de combustível e outros produtos subsidiados pelo governo venezuelano.

AFP