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Vladimir Putin (e) é recebido por Raul Castro no Palácio da Revolução, em Havana

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O presidente russo, Vladimir Putin, iniciou nesta sexta-feira em Cuba um giro pela América Latina que o levará também ao Brasil e à Argentina, em meio a tensões com os Estados Unidos, que o ameaçaram com novas sanções "muito em breve" se ele mantiver o apoio aos separatistas pró-russos na Ucrânia.

Putin chegou a Havana por volta das 05h30 locais, e cumprirá uma agenda apertada de um dia em Cuba - aliada de Moscou na Guerra Fria -, que incluía conversas com o presidente Raúl Castro, a assinatura de acordos e uma visita a um antigo cemitério militar soviético.

Ele teve uma "reunião longa e muito interessante" com o ex-presidente Fidel Castro, de 87 anos, que não via há 14 anos.

A viagem acontece em um momento de tensão entre Rússia e Estados Unidos, que ameaçaram Moscou com novas sanções por seu apoio aos separatistas ucranianos, conflito em que Havana apoia o Kremlin.

Coincidindo com o giro, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, afirmou estar disposto a declarar um cessar-fogo bilateral com os separatistas pró-Rússia, em uma conversa por telefone nesta quinta-feira com a chefe de governo alemã, Angela Merkel, informou Kiev.

Poroshenko também conversou com o vice-presidente americano, Joe Biden, enquanto Washington se preparava para impor novas sanções econômicas à Rússia "muito em breve", se Putin se recusar a cortar laços com os separatistas do leste da Ucrânia.

'Alianças plenas' com a América Latina

A viagem de Putin antecede sua participação na reunião de cúpula das potências emergente (Brics) na próxima terça-feira, em Fortaleza.

Antes de embarcar para Cuba, Putin declarou que Moscou deseja aumentar os investimentos russos na América Latina, e classificou de "hipocrisia" a espionagem eletrônica dos Estados Unidos no mundo.

"Não apenas é uma amostra da hipocrisia aberta entre aliados e sócios, mas também um ataque direto à soberania e uma violação dos direitos humanos", declarou Putin à agência russa Itar-Tass.

Para enfrentar o programa de espionagem eletrônica, Putin propôs "o desenvolvimento conjunto de um sistema que garanta a segurança das informações internacionais".

Em entrevista à agência de notícias Prensa Latina, o presidente destacou que a Rússia está interessada "em criar alianças plenas, tecnológicas" com a América Latina nos setores de petróleo e gás, energia, fabricação de aviões e biofarmacêutico.

'Longa conversa com Fidel'

Ao chegar à reunião com Raúl Castro no Palácio da Revolução, Putin informou que teve um encontro de quase uma hora com seu irmão, Fidel.

"Tivemos uma conversa muito longa e interessante, discutimos questões internacionais e problemas bilaterais. O encontro girou em torno dos temas internacionais da atualidade, da situação da economia mundial e das relações entre Rússia e Cuba", disse o chefe de Estado russo.

Putin viajou a Havana após promulgar um acordo que anula 90% da dívida de Cuba com a extinta União Soviética, segundo o Kremlin.

O acordo, concluído por Moscou e Havana em 2013 e aprovado na semana passada pela câmara baixa do Parlamento russo, foi assinado nesta quinta-feira pelo chefe de Estado russo, sendo definitivamente ratificado e entrando em vigor, informou o Kremlin em um comunicado.

O acordo prevê o cancelamento de 31,7 bilhões de dólares da dívida cubana, 90% do total que a ilha comunista acumulava com a União Soviética, seu grande sócio econômico e apoio diplomático nos anos da Guerra Fria.

O restante da dívida, 3,5 bilhões de dólares, deverá ser reembolsado ao longo dos dez próximos anos, com pagamentos a cada seis meses.

O dinheiro será reinvestido em Cuba, que, em junho, colocou em vigor uma nova Lei de Investimento Estrangeiro, com a esperança de atrair capitais para potencializar sua economia, que não decola, apesar das reformas do governo de Raúl Castro.

Entre os acordos assinados nesta sexta, de acordo com a imprensa russa, está um entre as companhias de petróleo Rosneft e Zaroubezhneft com a estatal Cubapetróleo para projetos de extração de óleo cru em águas cubanas.

Rússia e Cuba vêm se reaproximando nos últimos anos, depois de um distanciamento após o fim da União Soviética, em 1991.

"Nos anos 1990, o ritmo de nossa cooperação bilateral caiu. Estamos dispostos a recuperar as chances desperdiçadas", disse Putin, assinalando que a cooperação com Cuba tem "caráter estratégico e está orientada para o longo prazo".

Moscou, que, por três décadas, foi o principal parceiro econômico da ilha, ocupa agora o nono lugar entre seus sócios comerciais.

Em sua primeira atividade em Cuba, Putin, acompanhado de Raúl Castro, homenageou hoje os soldados soviéticos mortos enquanto serviam na ilha na Guerra Fria, em um pequeno cemitério nos arredores de Havana.

Putin visitará a Argentina amanhã e assistirá no domingo, no Brasil, à final da Copa do Mundo, antes de participar da reunião de cúpula do Brics.

AFP