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O presidente sul-africano Jacob Zuma em 8 de agosto de 2017

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O presidente sul-africano, Jacob Zuma, anunciou sua renúncia imediata nesta quarta-feira (14), depois que seu partido, o Congresso Nacional Africano (ANC), ameaçou destituí-lo com uma moção de censura.

Zuma, debilitado por um escândalo de desvio de recursos públicos, anunciou em um discurso televisionado à nação que havia tomado "a decisão de se demitir como presidente da República com efeito imediato, embora esteja em desacordo com a direção da minha organização".

"Devo aceitar que meu partido e meus compatriotas querem que vá embora", disse Zuma.

Depois de várias semanas de frustradas negociações com Zuma, que mergulharam o país em uma importante crise política, a direção do ANC decidiu na terça-feira exigir que deixasse o poder o quanto antes.

O Comitê Executivo do partido governista (NEC) "decidiu (...) tirar o companheiro Jacob Zuma", anunciou o secretário-geral do partido Ace Magashule, horas depois de uma longa reunião que refletiu as divisões dentro do ANC.

Cyril Ramaphosa, que assumiu em dezembro a liderança do ANC, buscava a saída de Zuma, afetado por vários casos de corrupção, com o objetivo de evitar uma catástrofe eleitoral nas eleições gerais de 2019.

A princípio, o presidente sul-africano não tinha nenhuma obrigação constitucional de respeitar a decisão do NEC.

- 'É muito injusto' -

Jacob Zuma, de 75 anos, havia permanecido em silêncio por vários dias.

Na quarta-feira, declarou à TV pública: "é muito injusto que este tema seja trazido permanentemente".

"O que fiz? Ninguém pode me dar razões", acrescentou em alusão ao pedido de renúncia do NEC de seu partido.

Na noite de segunda-feira se manteve em sua postura negado a se demitir, quando Cyril Ramaphosa foi pessoalmente à sua residência, em Pretória, pedir que renunciasse como a saída mais digna.

A oposição, que vinha reivindicando a dissolução do Parlamento e eleições antecipadas, comemorou a renúncia.

"Zuma fez muito dano ao nosso país (...). Sob seu reinado, a corrupção se estendeu até quase destruir nosso país", declarou o chefe da opositora Aliança Democrática (DA), Mmusi Maimane.

O ANC é o partido que esteve no poder da África do Sul desde o fim do apartheid em 1994. Mas nos últimos anos perdeu popularidade ao se ver salpicado por vários escândalos de corrupção, enquanto o país sofre com uma desaceleração econômica.

O partido anunciou que Ramaphosa será eleito até sexta-feira pelo Parlamento para suceder Zuma. Assim que assumir o poder, pronunciará o discurso sobre o estado da nação, que seu predecessor não pôde fazer na semana passada devido à crise política.

- Semanas de conflito -

Após semanas de tensões, o ANC recebeu a renúncia de Zuma com alívio.

"Não vamos comemorar", declarou, porém, uma de suas responsáveis, Jessie Duarte. "Tivemos que 'retirar' um dirigente que serviu ao nosso movimento durante mais de 60 anos, não é coisa fácil".

A pouco mais de um ano das eleições gerais, a tarefa do futuro presidente Ramaphosa, de 65 anos, se anuncia complicada.

O futuro presidente, um ex-sindicalista que se tornou milionário, prometeu reativar a economia do país, que está estagnada, e erradicar a corrupção que afeta seu partido e a cúpula do Estado.

Com o país aguardando que Zuma definisse seu futuro, a Polícia realizou uma batida na quarta-feira pela manhã na casa em Johanesburgo da polêmica família Gupta, no centro dos escândalos que afetam o presidente.

Cinco pessoas foram detidas nesta operação, feita no âmbito das investigações sobre o suposto tráfico de influências e desvio de recursos públicos de um grupo de empresários muito próximos do presidente Zuma.

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AFP