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O novo presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-In, durante coletiva em Seul, em 10 de maio de 2017

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O novo presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-In, tomou posse nesta quarta-feira, um dia após sua vitória eleitoral, e afirmou que está disposto a visitar Pyongyang, no caso de circunstâncias adequadas, em um momento de grande tensão na península.

Moon, de 64 anos e um político de esquerda, é um veterano defensor dos direitos humanos, e já havia afirmado que é favorável a uma aproximação menos conflituosa com o Norte, opinião contrária à postura rígida da ex-presidente destituída Park Geun-Hye.

Depois de vencer as eleições antecipadas - convocadas após o impeachment de Park, que é julgada por corrupção -, Moon fez o juramento solene de posse e afirmou que vai trabalhar pela paz na península.

"Se for necessário, vou viajar a Washington imediatamente", disse a respeito do aumento da tensão provocada pelo programa armamentista da Coreia do Norte.

"Vou a Pequim, a Tóquio e a Pyongyang caso as circunstâncias sejam adequadas".

O presidente americano, Donald Trump, o incentivou a ir a Washington "o mais cedo possível" em um telefonema entre os dois chefes de Estado, no qual "acordaram estreitar sua colaboração para resolver os assuntos de segurança na península coreana", explicou a Presidência sul-coreana.

Moon enfrenta uma delicada tarefa diplomática com a Coreia do Norte, que almeja produzir um míssil com capacidade de atacar os Estados Unidos e que tem Seul ao alcance de sua artilharia.

Paralelamente, Seul enfrenta uma disputa com Pequim a respeito da instalação de um escudo antimísseis americano, assim como divergências históricas com o Japão, ex-ocupante colonial.

O presidente recém-empossado nomeou Lee Nak-yon, ex-jornalista e quatro vezes deputado, como primeiro-ministro e Suh Hoon, principal articulador dos preparativos das reuniões de cúpula entre as Coreias de 2000 e 2007, como novo diretor do serviço secreto.

No âmbito interno, Moon enfrenta vários desafios, o principal deles as consequências do escândalo de corrupção que derrubou sua antecessora conservadora Geun-hye. Apesar da vitória eleitoral com folga, o país está profundamente dividido.

- "Presidente de todos" -

"Serei o presidente de todos os sul-coreanos", afirmou Moon, antes de prometer servir inclusive aqueles que não o apoiam. "Serei um presidente ao alcance do povo", acrescentou.

O candidato do Partido Democrático, de centro-esquerda, recebeu 41,1% dos votos, o que representa quase 13,4 milhões de eleitores.

Moon derrotou o candidato conservador Hong Joon-Pyo, que obteve 24,03% dos votos, e o centrista Ahn Cheol-Soo (21,4%).

Após uma cerimônia de posse simples, Moon saudou os partidários no caminho até a Casa Azul, sede da presidência sul-coreana.

O chefe de Estado se reuniu com os principais parlamentares do Partido Liberdade da Coreia, que defendem uma linha dura com Pyongyang e que já acusaram Moon de querer "entregar todo o país ao Norte".

"Gostaria de mostrar às pessoas que todos estão avançando juntos", declarou Moon, destacando que escutará as opiniões da oposição nas questões de segurança

"Peço a sua cooperação", afirmou.

A tensão é muito grande na península. A Coreia do Norte realizou desde o ano passado dois testes nucleares e vários testes de mísseis.

A administração do presidente americano, Donald Trump, reiterou nos últimos meses que a opção militar está sobre a mesa, alimentando os temores de uma escalada. Mas o ocupante da Casa Branca mudo de tom na semana passada ao declarar que seria uma "honra" se reunir com o dirigente norte-coreano Kim Jong-un, "se as circunstâncias forem adequadas".

Honestidade

O presidente chinês, Xi Jinping, felicitou Moon Jae-In por sua vitória e prometeu trabalhar que os dois países vão trabalhar juntos "ao entendimento e ao respeito mútuos", segundo a agência oficial Nova China.

A China está irritada com a instalação na Coreia do Sul do escudo antimísseis americano THAAD, que Pequim considera uma ameaça contra sua próprias capacidades de dissuasão.

A China, principal sócio comercial de Seul, adotou várias medidas contra empresas coreanas, o que foi interpretado como uma forma de represália econômica.

Mais do que a Coreia do Norte, a campanha eleitoral sul-coreana foi dominada pela desaceleração do crescimento, o desemprego, em particular entre os jovens, e as desigualdades.

O escândalo Park demonstrou as relações nada saudáveis entre o governo e os "chaebols", os grandes conglomerados sul-coreanos, que dominam a quarta maior economia da Ásia.

Em seu discurso de posse, Moon citou os temas e prometeu uma sociedade "de igualdade de oportunidades".

Também prometeu ser honesto: "Chego ao poder com as mãos vazias, sairei com as mãos vazias".

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