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Presidente suspende estado de emergência, mas protestos prosseguem no Chile

Manifestantes protestam contra as políticas econômicas do governo em Santiago, em 26 de outubro de 2019 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 27. outubro 2019 - 17:26
(AFP)

O presidente chileno, Sebastián Piñera, anunciou a suspensão do estado de emergência a partir da meia-noite de domingo, o que motivou a ida de milhares de militares para as ruas, em um momento em que os protestos permanecem, à espera do anúncio do governo em resposta à comoção social iniciada na semana passada.

Milhares de pessoas marcharam neste domingo (27) até a sede do Congresso Nacional, em Valparaíso (a 120 km de Santiago), na maior manifestação em décadas naquela região, que se seguiu a um protesto que reuniu mais de 1 milhão de pessoas na capital chilena na última sexta-feira.

Colunas de manifestantes tomaram a avenida Espanha, que liga as cidades de Viña del Mar e Valparaíso, agitando bandeiras chilenas e exigindo mudanças profundas no modelo econômico do país.

"A fortaleza do movimento social que tomou as ruas foi sua transversalidade e seu caráter pacífico e construtivo. Nosso chamado é que, em Valparaíso, continue sendo assim. Hoje mais do que nunca, ante o fracasso da estratégia de segurança do governo, que não evita saques e incêndios", disse o prefeito da cidade, Jorge Sharp.

Participaram da manifestação cerca de 100.000 pessoas, e aconteceram confrontos isolados entre manifestantes e a polícia, disse o prefeito.

Aconteceram também protestos em Rancagua, Concepción e Talca, cidades do sul do país onde centenas de manifestantes enfrentaram a polícia no início da noite.

Em Santiago, em frente à sede do governo, mil ciclistas se reuniram em protesto contra Piñera, e foram dispersados pela polícia com água e gás lacrimogêneo.

Já no parque O'Higgins de Santiago, cerca de 15 mil pessoas se concentraram, segundo a polícia, em um ato cultural chamado "O direito de viver em paz", em alusão à música de Víctor Jara, músico assassinado pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Nas redes sociais foram convocadas novas manifestações para segunda e terça-feira em frente à sede do governo.

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A pressão se mantém sobre o presidente, de direita, à espera de que se concretize a mudança de gabinete que ele anunciou ontem após pedir a renúncia de todos os seus ministros, juntamente com medidas que complementem o pacote que ele divulgou na semana passada, que inclui aumento de 20% das pensões básicas, aumentos dos impostos dos mais ricos e diminuição do número de parlamentares, e que muitos chilenos consideram insuficiente.

"Há mais de 30 anos a classe política desse país, incluindo todos os políticos de todas as tendências, não são capazes de solucionar os problemas reais das pessoas, que são a educação, a saúde e a aposentadoria, porque nossos aposentados recebem pensões miseráveis", disse em entrevista à AFP Carlos Vial, oficial do exército reformado de 63 anos.

"São medidas insuficientes, mas são um passo importante para o que as pessoas estão pedindo, mas continuam sendo insuficientes", disse Eduardo Pérez, engenheiro elétrico de 49 anos.

Os protestos já causaram 20 mortes, cinco delas causadas por agentes do Estado, no momento em que crescem as denúncias de abusos contra os manifestantes e se esperam missões de verificação do escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas e da Anistia Internacional.

Enquanto o presidente tenta responder aos protestos em massa, sua popularidade cai a 14%, frente a 29% na semana anterior à explosão social, segundo um estudo da consultoria Cadem realizado entre quarta e quinta-feira e divulgado hoje pelo jornal "La Tercera".

Os 14% rompem a marca que a mesma consultoria havia registrado em março de 2016, quando a presidente socialista Michelle Bachelet alcançou um mínimo de 18% após a revelação de um caso de corrupção que envolveu seu filho.

Neste domingo, centenas de voluntários voltaram às ruas para limpar a capital. Alguns pintavam muros, enquanto outros varriam o lixo e os pedaços de vidro espalhados por estações de metrô e esquinas por causa das barricadas erguidas durante os protestos da última semana.

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