Navigation

Presidente ucraniano pronto para acordo de paz com Putin

Petro Poroshenko afirmou que o plano de paz para o leste da Ucrânia só poderá dar certo se a Rússia entrar no jogo. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 26. junho 2014 - 12:42
(AFP)

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, declarou nesta quinta-feira que está pronto para concluir um acordo de paz com o homólogo russo Vladimir Putin para acabar com a insurreição separatistas pró-russa no leste da Ucrânia, um dia antes da expiração do frágil cessar-fogo decretado no dia 20 de junho.

"Estou pronto para selar a paz com todos", declarou o presidente em resposta a uma questão sobre a possibilidade de um acordo de paz com o homem forte do Kremlin, durante uma entrevista concedida ao canal americano CNN.

"Eu detesto a ideia de não aproveitar uma oportunidade para restabelecer a paz na região", acrescentou.

Enquanto a trégua deve expirar sexta-feira às 19h00 GMT (16h00 de Brasília) e às vésperas da assinatura de um acordo comercial crucial entre Kiev e a União Europeia, mal visto por Moscou, os ocidentais levantaram o tom contra a Rússia.

Apesar da tensão persistente, representantes de Kiev e autoridades separatistas realizaram uma terceira série de negociações indiretas em Donetsk, que pode resultar em uma extensão da trégua.

Os combates, que deixaram 400 mortos desde abril, prosseguiam nestes últimos dias no enclave industrial russófono de Donbass, apesar do cessar-fogo decretado por Poroshenko e aceito por um líder rebelde pró-russo.

Neste contexto, a Presidência russa manifestou seu pleno apoio a uma prorrogação do cessar-fogo, assim como a uma retomada de negociações entre as partes.

O presidente russo, Vladimir Putin, falou com a chefe do governo alemão, Angela Merkel, sobre a "necessidade de prorrogar a trégua, fixar reuniões de um grupo de contato e libertar as pessoas detidas", afirmou o Kremlin.

As potências ocidentais pediram nesta quinta-feira que a Rússia aja imediatamente para acalmar a situação no leste da Ucrânia.

"É crucial que a Rússia prove nas próximas horas que está agindo de verdade para ajudar a desarmar os separatistas, que os estimula a se desarmarem, a deporem as armas e a participarem de um processo legítimo", declarou em Paris o chefe da diplomacia americana, John Kerry, depois de se reunir com seu colega francês, Laurent Fabius.

O presidente americano, Barack Obama, ameaçou na noite de quarta a Rússia impor novas sanções, caso esta não adote medidas rápidas para deter o envio de armas e de combatentes através da fronteira com a Ucrânia.

Em uma primeira conversa, Merkel e o presidente francês, François Hollande, convocaram na quarta-feira Poroshenko e Putin a trabalhar em conjunto para acabar com os combates, segundo Paris. Putin insistiu "na necessidade de de prolongar a trégua". Ele também afirmou que é totalmente favorável à retomada do diálogo entre as partes em conflito.

Nesta quinta à noite, em pleno centro de Donetsk, reduto rebelde, cerca de 200 insurgentes armados atacaram uma base da Guarda Nacional ucraniana, após terem dado um ultimato para que as tropas se rendessem, constatou um jornalista da AFP. O ataque foi repelido, de acordo com a Guarda Nacional.

Na quarta-feira, um ataque dos rebeldes deixou dez paraquedistas ucranianos feridos, de acordo com um porta-voz do Exército.

Além disso, os meios de comunicação ucranianos informaram nesta quinta-feira sobre um ataque de homens armados contra um aeroporto da cidade de Kramatorsk, perto do reduto pró-russo de Slaviansk.

Apesar da morte de nove soldados ucranianos em um helicóptero derrubado pelos rebeldes na terça-feira, Poroshenko decidiu manter o cessar-fogo.

Para tentar apaziguar a situação, o presidente ucraniano apresentará ao Parlamento uma reforma de descentralização que conceda mais poderes às regiões, mas sem instaurar uma estrutura federal, como pedia a Rússia.

Já a UE planeja assinar um acordo comercial com Kiev para suprimir a maior parte das fronteiras aduaneiras.

A rejeição em assinar esse documento, previsto inicialmente em novembro passado, provocou o início de um movimento de protestos pró-europeus e a destituição do então presidente, o pró-russo Viktor Yanukovytch, assim como a atual crise no país.

A Rússia advertiu na quarta-feira que tomará medidas de proteção, se os acordos de associação entre a UE e Ucrânia, Moldávia e Geórgia, com assinatura prevista para sexta-feira, prejudicarem sua economia.

Em julho, a UE, Moscou e Kiev negociarão em nível ministerial as condições de aplicação desse acordo, embora as consultas entre especialistas comecem nesta semana, indicou nesta quinta-feira Alexei Meshkov, um diplomata russo.

burs-zak/dmc/ma/dm/mr

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.