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(Arquivo) Marcelo Odebrecht, presidente da construtora Odebrecht, em Querétaro, México, no dia 12 de novembro de 2012

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A Polícia Federal prendeu, nesta sexta-feira, Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo, presidentes das empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez, que atuam nas obras dos Jogos Olímpicos do Rio-2016. As prisões se inscrevem na 14ª fase da operação Lava Jato, que investiga casos de corrupção na Petrobras.

Cerca de 220 policiais federais participaram da operação, que cumpriu mandados judiciais em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

"Não temos nenhuma dúvida de que (as companhias) Odebrecht e Andrade Gutierrez comandavam um esquema de cartel dentro da Petrobras", disse o procurador da República Carlos dos Santos Lima, em coletiva de imprensa, na qual afirmou existirem provas de um sofisticado esquema de pagamentos ilegais a ex-diretores da Petrobras no exterior, sobretudo em Panamá, Suíça e Mônaco.

O delegado da PF, Igor Romario de Paula, estimou que os subornos podem somar o equivalente a US$ 230 milhões, segundo dados fornecidos por pessoas envolvidas no caso, que colaboram com a Justiça no âmbito de uma redução de suas penas, entre eles, ex-diretores da Petrobras.

"Usando como base os 3% usualmente mencionados pelos delatores, daria quase R$ 210 milhões da Andrade Gutierrez e R$ 510 milhões da Odebrecht", informou, em alusão ao percentual do valor dos contratos multimilionários que teriam sido desviados, segundo os depoimentos já registrados pela PF e pelo Ministério Público.

O juiz Sergio Moro, encarregado do caso, bloqueou as contas bancárias e os investimentos financeiros dos detidos, inclusive os dos presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, que ficarão à disposição do magistrado em prisão preventiva.

Durante o dia, foram cumpridos vários mandados de prisão.

Rede de subornos

Esta nova fase da "Operação Lava Jato" revelou um gigantesco esquema de subornos com vínculos políticos e custo de mais de US$ 2 bilhões para Petrobras e investiga os crimes de "formação de cartel, fraude em licitações, corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro", segundo um comunicado divulgado pela polícia.

A Andrade Gutierrez confirmou à AFP a prisão de Azevedo. Já a Odebrecht se limitou a divulgar um texto, reconhecendo o procedimento em seus escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro. Na mesma nota, qualificou os mandados de prisão de "desnecessários, já que a empresa e seus executivos, desde o início da operação Lava Jato, sempre estiveram à disposição das autoridades".

O esquema de corrupção na Petrobras se estruturou em torno de um clube de empresas, que negociava licitações para assumir obras contratadas pela empresa entre 2004 e 2014. Como confessaram alguns dos investigados, os subornos pagos para obter as concessões se destinaram a financiar partidos políticos e engrossar as fortunas pessoais dos envolvidos.

O escândalo mantém sob investigação do Ministério Público dois governadores, 13 senadores e 22 deputados em funções.

A Andrade Gutierrez é uma empresa de infraestrutura e logística. Opera em 40 países e realiza obras no parque olímpico dos Jogos do Rio de Janeiro-2016, às quais se refere, em sua página na internet, como "a principal obra dos Jogos de 2016".

A Odebrecht opera no mesmo setor e faturou mais de US$ 40 bilhões em 2014. Conta com 181.000 funcionários distribuídos em 21 países e também realiza obras olímpicas: a revitalização da zona portuária no Rio de Janeiro e a construção da Linha 4 do metrô, em consórcio com a Queiroz Galvão e a Carioca Engenharia.

O estouro da crise da Petrobras expôs as principais empreiteiras do país por sua atuação em obras licitadas pela gigante do petróleo, a maior empresa brasileira. Seus problemas arrastam, por sua vez, centenas de fornecedores de menor escala, que constituíam uma rede econômica que põe em risco um grande número de empregos.

"Não queremos, de forma alguma, criar obstáculos ao negócio destas empresas ou parar o mercado como efeito, às vezes, de certas afirmações terroristas de parte dos empresários", disse o procurador Santos Lima na coletiva de imprensa, referindo-se às advertências de empresários sobre as possíveis consequências da Lava Jato para a economia brasileira.

Ainda esta tarde, os presos serão transferidos para Curitiba, onde se concentram as investigações do "petrolão" que não envolvem políticos com foro privilegiado, informou a Justiça.

AFP