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Cerca de 200 obras do legado de Cornelius Gurlitt serão expostas a partir de 2 de novembro na capital suíça

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O Museu de Belas Artes de Berna apresentou nesta sexta-feira as primeiras obras da coleção herdada de Cornelius Gurlitt (1932-2014), filho de Hildebrand Gurlitt, famoso comerciante de arte na Alemanha do Terceiro Reich.

Entre a seleção de quadros apresentados destacam-se obras da "arte degenerada" de pintores como Otto Dix, Ernst Ludwig Kirchner, Franz Marc, August Macke e Otto Mueller, segundo a agência suíça ATS.

Cerca de 200 obras do legado de Cornelius Gurlitt serão expostas a partir de 2 de novembro na capital suíça.

Paralelamente a esta exposição em Berna, um museu alemão, o Bundesskunsthalle de Bonn, apresentará outra parte desta coleção, mas sob dois enfoques diferentes: o das obras espoliadas durante as perseguições nazistas e os quadros cuja procedência não foi esclarecer ainda.

A exposição de Bonn abordará também os roubos de objetos de arte sem precedentes cometidos pelos nazistas nas regiões ocupadas pelo regime de Adolf Hitler.

Para surpresa geral, segundo o testamento de Cornelius Gurlitt, que faleceu em 2014 sem herdeiros diretos, o museu suíço acabou se tornando o herdeiro de sua coleção, composta por 1.500 obras, uma parte das quais suspeita-se serem peças roubadas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial de seus proprietários judeus.

Após vencer uma longa batalha legal com os herdeiros distantes de Gurlitt, o museu de Berna investigou a origem das obras, o que levou a restituições de quadros roubados de seus donos originais ou de descendentes deles.

Segundo um acordo alcançado com a Alemanha, deviam ser transferidas a Berna apenas as obras de origem irreprochável e incontestável.

O tesouro de Cornelius Gurlitt foi descoberto em 2012, armazenado em malas, durante uma inspeção dos agentes alfandegários em seu apartamento em Munique, no sul da Alemanha, e em outra casa na cidade austríaca de Salzburg.

Entre as suas obras-mestras destaca-se um grande quadro de Paul Cézanne, datado de 1847 e que representa a montanha de Sainte-Victoire.

A coleção inclui também um quadro de Claude Monet de 1893, a "ponte de Waterloo no nevoeiro", uma "marina" de Édouard Manet, uma obra "muito significativa" de Paul Signac, e vários quadros de Gustave Courbet, entre eles um autorretrato conhecido pelo nome de "O apóstolo".

AFP