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Primeiro coletor de amostras de asteroides da Nasa chega ao seu destino, Bennu

Um estágio superior do Centaur sendo levantado em Cabo Canaveral, Flórida, em 11 de setembro de 2016 para a missão OSIRIS-REx da Nasa afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 03. dezembro 2018 - 19:23
(AFP)

A primeira missão da Nasa projetada para visitar um asteroide e trazer uma amostra de sua poeira para a Terra chegou nesta segunda-feira ao seu destino, Bennu, dois anos após o lançamento de Cabo Canaveral, na Flórida.

A missão não tripulada de US$ 800 milhões, conhecida como OSIRIS-REx, fez um encontro com o asteroide por volta das 12H10 (15H10 em Brasília).

"Chegamos", disse Javier Cerna, engenheiro da Lockheed Martin, enquanto seus colegas no controle da missão em Littleton, Colorado, comemoravam e trocavam cumprimentos, segundo uma transmissão ao vivo da televisão da Nasa.

Bennu tem cerca de 500 metros de diâmetro, aproximadamente o tamanho de uma pequena montanha. É o menor objeto já orbitado por uma espaçonave feita pelo homem.

Bennu, um fragmento do sistema solar inicial, também é considerado potencialmente perigoso. Há um risco leve - de um em 2.700 - de que colida com a Terra em 2135.

O asteroide rico em carbono foi escolhido entre cerca de 500.000 asteroides no sistema solar porque orbita perto do caminho da Terra ao redor do Sol, tem o tamanho certo para o estudo científico e é um dos asteroides mais antigos conhecidos pela Nasa.

Os cientistas esperam que ele revele mais sobre a formação inicial do sistema solar, bem como sobre como encontrar recursos preciosos como metais e água em asteroides.

"Com os asteroides, você tem uma cápsula do tempo. Você tem uma amostra pura de como o sistema solar era há bilhões de anos", disse Michelle Thaller, porta-voz do Goddard Space Flight Center da Nasa.

"É por isso que, para os cientistas, esta amostra será muito mais preciosa do que ouro".

- "Suave high-five" -

A missão foi lançada em setembro de 2016. Ao longo dos últimos meses, OSIRIS REx foi se movendo lentamente em direção a Bennu, e finalmente alcançou a rocha espacial quando estava a cerca de 129 milhões de quilômetros da Terra.

"Nos últimos meses, Bennu vinha entrando em foco conforme eu me aproximava", disse a conta da OSIRIS-REx no Twitter. "Agora que estou aqui, vou voar em volta do asteroide e estudá-lo em detalhes".

A espaçonave está equipada com um conjunto de cinco instrumentos científicos para estudar o asteroide por um ano e meio, mapeando-o em alta resolução para ajudar os cientistas a decidirem exatamente onde extrair amostras.

Em 2020, ele estenderá seu braço robótico e tocará o asteroide, em uma manobra que Rich Kuhns, gerente do programa OSIRIS-REx na Lockheed Martin Space Systems, em Denver, descreveu como um "suave high-five" (expressão em inglês que pode ser traduzida como "toca aqui").

Usando um dispositivo circular muito parecido com o filtro de ar de um carro, e um vácuo reverso para levantar e coletar poeira, o dispositivo pretende pegar cerca de 60 gramas de material da superfície do asteroide e trazê-las à Terra para um estudo mais aprofundado.

A Nasa diz que pode obter muito mais material, talvez até dois quilos.

A agência espacial americana espera usar a OSIRIS-REx para trazer à Terra a maior carga útil de amostra espacial desde a era Apollo, nos anos 1960 e 1970, quando os exploradores americanos coletaram e transportaram 382 quilogramas de rochas lunares.

A agência espacial japonesa Jaxa provou pela primeira vez que a coleta de amostras de um asteroide era possível.

Em 2010, a sonda espacial Hayabusa, da Jaxa, pousou na superfície de seu asteroide alvo e conseguiu trazer à Terra alguns microgramas de material.

Uma vez que a missão da Nasa tiver coletado com sucesso a poeira espacial de Bennu, a amostra será mantida em um recipiente e será trazida à Terra em 2023, aterrissando no deserto de Utah no final de setembro, disse a agência americana.

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