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O primeiro-ministro iraquiano em fim de mandato, Nuri al-Maliki, em um encontro com o Secretário de Estado americano, John Kerry, em seu gabinete, em Bagdá, em 23 de junho de 2014.

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O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, anunciou nesta quinta-feira que está deixando o poder três dias depois da designação de seu sucessor, no momento em que o país está mergulhado em sua mais grave crise em anos diante do avanço jihadista.

Pouco antes do discurso de Maliki, o presidente americano, Barack Obama, afirmou que os ataques aéreos das forças do Estados Unidos contra os jihadistas do Estado Islâmico (EI) tinham rompido o cerco ao Monte Sinjar, no norte do país, onde estão milhares de refugiados yazidis pereguidos pelos insurgentes.

A comunidade internacional intensificou seus esforços para fornecer ajuda humanitária à população deslocada pela ofensiva do EI, além de armas e equipamentos às forças curdas que combatem os ultra-radicais.

No plano político, ao término de meses de crise e de críticas cada vez maiores contra o governo, Maliki decidiu jogar a toalha depois de ter passado oito anos no poder.

"Anuncio hoje a vocês (...) a retirada de minha candidatura, em favor do irmão Haidar al-Abadi", declarou Maliki, em um discurso transmitido pela televisão ao lado do sucessor designado.

O presidente da República, Fuad Massum, havia designado na segunda-feira Al-Abadi, um integrante do partido Dawa de Maliki, para que formasse um novo governo. Maliki protestou, considerando a medida um desrespeito à Constituição.

Mesmo abandonado pelos aliados Irã e Estados Unidos, e por membros de seu bloco xiita, Maliki havia afirmado na quarta que não tinha a intenção de deixar o poder sem uma decisão da corte federal.

Os críticos de Maliki, um xiita de 63 anos, culpam o seu governo pelo caos no país, principalmente pelo avanço dos jihadistas. Maliki é acusado de ter mantido uma política de exclusão dos sunitas e de ter sido autoritário durante seus oito anos no poder.

Abadi obteve amplo apoio internacional para formar um governo de união que terá a difícil tarefa de tirar o país de sua maior crise em anos.

Centenas de milhares de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas devido à ofensiva iniciada no dia 9 de junho pelo EI, que se apoderou de amplas faixas territoriais ao norte, a oeste e a leste de Bagdá.

Os jihadistas avançaram em direção ao Curdistão autônomo, expulsando milhares de membros das minorias cristã e yazidi (minoria curda e não muçulmana) de suas cidades principalmente Sinjar e Qaraqosh.

O Alto Commissariado da ONU para os Refugiados havia estimado há alguns dias em dezenas de milhares o número de pessoas, na maioria yazidis, encurraladas sem alimentos e sem água na região montanhosa de Sinjar.

- 'Vidas inocentes salvas' -

"Nós rompemos o cerco do EI no Monte Sinjar e salvamos muitas vidas inocentes", declarou nesta quinta-feira Obama, indicando que o Exército americano vai manter os ataques aéreos contra os jihadistas no norte, iniciados em 8 de agosto.

"Graças a esses esforços, não acreditamos que haja outra operação para retirar civis da montanha e, por isso, é pouco provável que a gente precise prosseguir com a ajuda humanitária (na região)", ressaltou.

De acordo com o Pentágono, havia nesta quinta entre 4.000 e 5.000 yazidis no Monte Sinjar, sendo que milhares haviam conseguido deixar a montanha nos últimos dias.

A comunidade internacional se mobilizou para ajudar os deslocados no Curdistão. O Reino Unido realizou durante a noite novos envios de mantimentos, antes de indicar no início da noite a suspensão "dos lançamentos de ajuda humanitária" sobre o Monte Sinjar, "já que as provisões parecem ser suficientes".

A Alemanha vai enviar na sexta-feira quatro aviões de transporte militar Transall carregados de ajuda humanitária e material médico.

A ajuda humanitária da França ao Curdistão vai ser ampliada. Em uma conversa por telefone com o chefe de Estado iraquiano, Fuad Massum, o presidente François Hollande confirmou "a entrega iminente" de equipamentos militares.

O Conselho de Segurança da ONU vai votar na sexta-feira medidas visando a cortar os recursos dos jihadistas no Iraque e na Síria, enquanto a União Europeia deve realizar em Bruxelas uma reunião de emergência dos ministros das Relações Exteriores.

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AFP